29 de setembro de 2007

Especial Kiko Loureiro Revista Guitar Player

Dez mandamentos de Kiko Loureiro
1) Dedicação e perseverança
2) Mente aberta: querer aprender mais; ganância musical
3) Amor à música: respirar e viver música
4) Ser metódico e organizar o tempo de estudo
5) Estudar com o metrônomo em diversas regulagens
6) Estudar muita harmonia
7) Saber pelo menos o básico de leitura musical
8) Ter vasto vocabulário de técnicas
9) Sempre buscar a musicalidade
10) Tocar com pessoas diferentes e estar pronto para diversos estilos musicais.


Técnica, feeling e velocidade são alguns dos ingredientes que fizeram Kiko Loureiro ser admirado no Brasil e exterior, e os últimos meses têm sido de correria total. O Angra comemorou 15 anos de estrada com o álbum Aurora Consurgens e saiu em turnê mundial. Ao mesmo tempo, Kiko Loureiro tem feito workshops e divulgado o seu segundo disco-solo. Foi numa brecha dessa agenda apertada que Kiko Loureiro conversou com Guitar Player. A seguir, ele revela as diferentes fases de sua formação musical e dá dicas preciosas para quem quer se desenvolver na guitarra.


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Por: Webmaster

Kiko Loureiro Conquista o mundo

Capa da edição de outubro da Guitar Player brasileira, Kiko Loureiro vem conquistando reconhecimento em todas as partes do mundo. Loureiro ganhou fama como guitarrista da banda de heavy metal Angra e consolidou seu sucesso com os discos-solo No Gravity e Universo Inverso, que exploram as diversas influências do músico, do rock ao jazz, passando pela música brasileira.

O talento de Kiko Loureiro foi agora reconhecido pela Guitar Player americana, que publicou em sua edição de novembro uma entrevista com o guitarrista, comprovando o respeito que Loureiro vem ganhando no exterior - uma façanha e tanto, já que entrar no mercado musical dos EUA não é nada fácil.

O repórter Matt Blackett descreve da seguinte forma o álbum Universo Inverso: "Loureiro mistura primorosamente intrincados ritmos brasileiros com temas melódicos arrojados e solos incendiários. Oitavas à la Wes Montgomery coexistem com um lirismo ao estilo de Jeff Beck e pirotecnias aprovadas por Al Di Meola - tudo isso com um timbre dinâmico e cremoso".

Com seu domínio técnico do instrumento, mente aberta em relação à música e talento para composição, Loureiro é um dos maiores guitarristas do Brasil. Em sua edição de outubro, a Guitar Player brasileira publicou uma grande entrevista com Loureiro e uma lição especial sobre seu estilo. O músico estará no estande da revista na Expomusic para sessões de autógrafos - dia 29 de setembro (sábado), às 16h; 30 de setembro (domingo), às 15h. Maiores informações

Por: Webmaster

Kiko Loureiro na Expomusic 2007

Como se é de costume ver, mais uma vez Kiko lota o ambiente em seus famosos workshop na Expomusic que acontece todo ano em São Paulo. Segue três fotos do Kiko no stand da Warm Music. Abs (Webmaster)



26 de setembro de 2007

Clinics Tour: ASIA-EUROPE

Estou no meu último dia em Singapura. Não “no” Cingapura ( famosa favela vertical do Maluf criada para angariar votos dos menos avisados...) e sim no país Asiático outrora dominado pelos Japoneses e depois protegido por Ingleses. Experimentem acha-lo no mapa... é um pontinho em baixo da Malásia.

Esta “clinic”tour Asiática começou na Europa para falar a verdade. Antes de pular para o outro lado do mundo, participei de dois grandes festivais de guitarra na Europa para apresentar músicas do Universo Inverso. O primeiro foi em Fiorano, cidade vizinha de Modena ( Ferrari, Masseratti, Pavarotti...). Tive o privilégio de ser a atração principal de um dos dias do festival que acontece dentro de um castelo da época renascentista. O palco foi montado no pátio central do Castelo e comigo acompanharam um baixista e baterista italiano de altíssimo nível onde tocamos músicas do No Gravity e Universo Inverso. Cheguei na cidade uns dias antes para fazer dois “master-class”. Como vcs podem ver na foto este evento foi dentro da sala do suposto rei que habitava o castelo. Decorada com afrescos por todas as paredes...

Depois do festival Italiano viajamos ( eu, os músicos e a produtora) para França numa cidade situada na fronteira de Geneva ( Suíça), chamada Saint Julien. O festival francês contava com as grandes estrelas da guitarra francesa como Patrick Rondat e Christophe Godin e bandas como Gottard. Fiquei muito feliz de poder tocar em uma super estrutura de festival “open-air” com meu trabalho solo. Palcos como este só havia transitado tocando com o Angra.

Depois da França peguei o vôo de 25 horas Geneva-Paris-Singapura-Kuala Lumpur. Não sabe onde fica? É longe! Fica na Malásia. Não sabe ainda? Tudo bem... aqui eles também não sabem onde fica o Brasil.

Perguntaram-me se havia praia no Brasil...acreditam? Nem respondi, fiquei desolado. Outro me falou que queria conhecer o Brasil e depois dar um volta pela Turquia porque gostava deste tipo de cultura!... dei um mapa do Brasil que tinha na mala para este figura. Acho que aprendeu...
No meu “mode zumbi:on”, afinal depois de tantas horas de vôo, fuso horário cheguei em Kuala Lumpur torto no maior aeroporto da Ásia.

Neste país tropical abençoado por Budda... vemos uma mistura de chinês com malay ( em português não sei: malês, malasiano, malasiense... malês soa melhor acredito) com indiano. Muito interessante a diversidade. Hotel- comida ( só pimenta! Tema para um post futuro)- passagem de som-hotel- workshop- comida ( dormindo com cara no prato) hotel- aeroporto às 4 da manhã. Tudo muito rápido, mas deu para conhecer um pouco da atmosfera do país. Legal também foi a presença do embaixador brasileiro no work. Levou a bandeira do Brasil e distribui folhetos com o mapa do Brasil e fotos explicativas das nossas belezas tupiniquins. Achei isso muito bom. Pelo menos ali, quem estava na platéia, ninguém vai perguntar se temos praia ou se no Brasil faz calor ( perguntaram essa também! Faça-me o favor...). Dali fui para a Tailândia. Já estive uma vez no país que as pessoas falam como criança e a única coisa que me lembrava era a pimenta da comida... Tinha que comer arroz puro, pois era a única coisa que com certeza não teria pimenta. Aterrisei no também maior aeroporto da Ásia. Pensei no nosso pobre Guarulhos. Aeroporto- hotel-passagem de som- workshop-comida ( arroz)-hotel- aeroporto às 3 da manhã(!!!!). Mode: Zumbi-max on.

Vale falar que o work tinha umas 500 pessoas, em um calor-sauna-amazônica no qual nunca suei tanto em minha vida. Pedi uma toalha e trouxeram-me aqueles lencinhos tipo “baby wipes” com cheirinho de talco. Além de tudo tinha um tradutor que não falava inglês.Sufoco completo. Mas é claro que é sempre bom tocar e falar de música e de guitarra. Ainda mais em um país tão distante, fico feliz de ver as pessoas com cds do Angra , conhecendo minhas músicas e respeitando a música brasileira.

Cheguei em Tawain após sabe-se lá quantas horas de vôo... O contratante olhou para minha cara como para quem olha um cachorro vira-lata perdido numa noite fria. Rindo perguntou se eu estava cansado. Cheguei ao meio-dia e às 3 já deveria passar o som. Lindo, pela primeira vez teria pelo menos umas duas horas para comer e descansar no hotel. Claro que para meu azar em Taiwan o check-in começa às três da tarde... Enfim, comi e fiquei 10min no quarto. Comida- hotel ( 10 min)- passagem de som- hotel (2h!)-red bull- café- workshop- cama ( pulei o jantar, os olhos venceram o estomago)- e por fim aeroporto às seis da manhã. Agora a viagem seria para Singapura... 8horas de vôo! Olhando no mapa parece tudo tão pertinho...

Lembro que neste vôo tive um pesadelo, daqueles bem reais, que só em sono profundo ocorrem. Sonhei que tinha dormido e esqueci de descer em Singapura e quando me dei conta estava indo para a Europa. Desesperado perguntei para a aeromoça onde estava ela respondeu com aquele sorrisinho forçado e falso, e voz doce e irritantemente calma típica da profissão: Serão 12 horas de vôo, o senhor espera umas quatro para a conexão e depois retorna mais 12 horas... Daí acordei desesperado e olhei para o lado para ver se os chineses tinham a mesma cara de quando eu dormi. Apesar da semelhante feição de quaisquer dos bilhões de chineses, percebi que estava no mesmo vôo. Mantive-me acordado por via das dúvidas.

Ah, esqueci de falar do workshop em si. O público de Taiwan já é bem conhecido nosso. O Angra já vez 3 shows lá sempre super lotados e eu também já passei pela ilha por outras vezes para fazer workshops. Apesar do cansaço é claro que na hora do trabalho, na hora de tocar fico bem disposto e acordado. A música é realmente um remédio para qualquer mal. O Teatro estava lotado. Umas 400 pessoas. Um tradutor que já era meu amigo e perguntas muito engraçadas e divertidas deixaram o clima bem legal na noite.

Cheguei a Singapura às 4 da tarde. Era dia livre finalmente! Fui comer e ensaiar com os músicos que fariam uma participação comigo no evento. Tocamos Escaping.

Depois de um rápido ensaio e o jantar pude finalmente dormir. O hotel era mega moderno com tudo digital no quarto. Para meu azar ( claro!) a cortina hi-tech automática abria e fechada sozinha durante a noite, o que me fez acordar várias vezes.

O workshop em Singapura foi muito bom também. Dentro de uma boite, super bem organizado, com direito a moving lights, telão etcetc.

Fiquei em Singapura mais dois dias e pude conhecer um pouco mais deste interessante país. Agora vem a parte CVC... Fiz vários programas turísticos. A começar pelo café da manhã no zoológico... isso mesmo... comendo ao lado dos Orangotangos. Como vemos na foto: a macacada completa. Uns com mais pêlos, outros com olhos mais puxados.

A outra foto é o símbolo do país : O Merlion ( mermaid+ lion), ou Leão-Sereia. Diz a lenda que foi visto este ser vagando por aqueles mares. É mais conhecido como vomiting-lion pelos moradores, afinal fica ali vomitando 24/7 sem parar.

Uma das coisas mais bizarras que fiz lá foi a massagem no ouvido. Disse a moça de olhos esticados em singlish ( forma bizarra de falar inglês em Singapura), que era para escutar melhor, então topei. Deita-se de lado e a chinesa chega e envia ( sem muita dó...) uma vela dentro do ouvido. Após acender a vela, começa a fazer a massagem na orelha. Um pouco estranho, mas em poucos segundos é possível acostumar-se com a vela quente enfiada no orifício auricular. Depois o ouvido fica todo limpinho mesmo. Vale lembrar que este foi o único orifício explorado pela massagista de trasos cantonês.

Depois estava pronto para encarar a viagem de Singapura à Paris e depois pegar um trem direto à Nancy para tocar no MAI, maior escola de guitarra da França. É isto... agora estou meio cansado para enfrentar a maratona da Expo Music, mas é sempre divertido a confusão dos stands de qualquer forma.

Vamos falar um pouco da parte difícil da viagem para a Ásia: a comida!!
Já tenho certa experiência neste assunto, pois não é a primeira vez que vou para a Ásia. Aliás um dos primeiros post aqui tem a famosa foto dos espetinhos de cabeça de galinha. Que até hoje não entendi qual é o prazer de sentar num banquinho e tomar cerveja enquanto se mastiga o bico de uma galinha...

Quem pensa que Ásia é comida japonesa está bem enganado, quem pensa que na Ásia você come como em restaurantes chineses no Brasil também está enganado. Lig-Lig, china in the box e estas coisas , que já são ruins, são o paraíso perto do que se encontra por ali.

No primeiro dia na Malásia, já adverti o contratante que tinha uma certa dificuldade em comer comida asiática. Ali naquela região além da comida ter uma aparência no mínimo bizarra tudo é lotado de pimenta. Taí uma coisa que também não entendo. O prazer de comer algo que queima a boca e você passa mais tempo bebendo água para “aliviar” do que comendo, além de que depois da primeira pimenta você não sente o gosto de nada.

Claro que tudo o que o cara falou que não tinha pimenta tinha sim... talvez não tão forte, mas para mim o suficiente para tomar dois litros d’agua e deixar o arroz que comi ( única coisa segura sem pimenta) boiando na minha barriga.

Assim como o arroz, toda comida asiática já vem boiando. É sempre um tigela de água quente com “algo” dentro. Em Singapura veio uma tigelinha com uma asa galinha preta. Não pense que era uma galinha de pena preta. A pele era preta... desculpem mas eu como morador de São Paulo onde compra-se a galinha já congelada e toda assepticamente limpa, nunca vi algo parecido. Parecia uma galinha vinda de Gana ou Togo sei lá... outras coisas não identificáveis nadavam com a asa preta. Bebi a tal sopa e ainda fiz cara que estava bom. A técnica é sempre comer todo o arroz e falar que é o prato predileto e que no Brasil também se come muito. Daí o resto vc experimenta faz cara que adorou mas comenta que está sem fome e infelizmente vai deixar o resto no prato. Questão de educação. Funciona.

Em Singapura também a contratante veio com um líquido gelatinoso e quente ( sem pensamentos criativos, por favor). Pediu para eu tomar sem perguntar o que era. Situação delicadíssima neste lado do planeta. Tomei. Não era tão ruim, mas se nem a chinesa tinha coragem de me falar o que era antes, já esperava algo como cérebro de macaco ou esperma de crocodilo... Mas não, era cuspe de passarinho.Em inglês não soa tão mal: Sparrow Spit. Explico melhor: Na realidade os passarinhos cospem a sua própria comida depois de mastiga-la para construir o ninho pra seus filhotes. Assim sendo, os maldosos chineses vão lá e pegam este cuspe saudável e protéico. Vale comentar que o tal gole de cuspe custa 100 dólares. É algo muito elegante e aristocrático para o café da manhã.
Beijos e abraços!