3 de novembro de 2008

Blog GUITAR PLAYER
















Para quem não sabia, o "Blog do Kiko" também está na edição de banca da revista Guitar Player. Vou colocar os texto aqui também!
Nas fotos podemos ver todos da Banda. Mike Terrana-bateria, Doug Wimbish-baixo, Maria Ilmoniemi-teclados, Tarja e eu.
De camiseta branca o técnico do estúdio que comandou as gravações.


Depois de uma turnê de um mês, nada mais estranho que cair diretamente
no ambiente hermético de um estúdio, ainda mais com “boludos” argentinos.
Estúdio e Palco: dois mundos completamente diversos . Há músicos que se especializam em um deles, mas geralmente temos que aprender a sobreviver nestes dois habitats tão ásperos.
Para mim, o estúdio acredito ser muito pior. Mede com uma lupa microscópica seus erros e fraquezas. Tudo soa, tudo se ouve, não há sons externos, não há aplausos, sinais de satisfação, vaias ou algo que te oriente.
Ouve-se apenas: “Próxima parte” / “próxima guitarra”, que significa ”está suficientemente bom para o produtor poder trabalhar”; ou “a boa agora”, que significa que sua tentativa foi fracassada. Este eufemismo pseudo-encorajador até ajuda pois a gente sempre tem fé que pode fazer melhor. Porém depois aprendemos que o primeiro “take” é o mais autêntico sempre. Regra #1 portanto: nunca apague o primeiro take, você provavelmente se arrependerá.

Logo após o show de Buenos Aires com a Tarja, fomos para um estúdio na capital argentina para gravar uma nova música de um futuro single da cantora.
Esta música tocamos ao longo da turnê, assim todos já sabiam suas partes e o que gravar.
Tínhamos 12 horas para registrar tudo, montar e timbrar os instrumentos, tempo realmente curto para uma produção legal, mas não havia alternativa.
Em tempo de computadores mágicos e perfeccionistas, é raro gravar ao vivo em estúdio uma banda toda, mas por questão de tempo foi o que fizemos.
Foi uma experiência singular compartilhar a vivência de Doug Wimbish, que já gravou com Jeff Beck, Madonna, Mick Jagger etc., Terrana que tem mais de 100 álbuns com sua assinatura, e também ao lado de músicos de formação erudita como a pianista Maria e o violoncelista Max.
Um fato interessante é ver estes dois mundos, erudito-popular, confrontando-se. Enquanto os americanos( Eles de formação exclusivamente empírica) prezam a música e o clima que todos juntos vão criar, os eruditos concentram-se na execução perfeita. Foi engraçado ver a discussão entre quem rege o tempo, o baterista ou o metrônomo? O Baterista segue o metrônomo, mas caso ele toque um pouco “para frente”ou “laid back”, a quem seguimos ?
Seguimos o Terrana, afinal acaba por sair mais musical, é lógico.

Gravados bateria, baixo, teclados e guitarra, escolhemos um bom “take” e a labuta propriamente dita começou.Dobras de guitarra!! Produções modernas e principalmente as de rock requerem a chamada “parede de guitarras”.
Incessantes dobras para obter o timbre, corpo e peso ideal. Gravei quatro vezes com um amplificador e mais quatro vezes com outro amplificador, alternando guitarras também.
O interessante é sempre procurar alternar um som mais pesado, menos médios, mais distorção e com menos ataque, o que são características de amplificadores americanos e mais modernos, com um timbre mais nasal, direto e com ataque, que encontramos em amplificadores mais tradicionais. Caso você tenha um amplificador só, pode buscar esta diferenciação na regulagem mesmo.Outra idéia é dobrar com um som quase limpo, crunch, para conseguir o ataque e definição. Alternar guitarras, com diferentes captadores e estilos também é fundamental. Nesta gravação usei uma K1 7 cordas ( com ponte fixa) e uma Tagima modelo Les Paul.
Quando as dobras começam ser inúmeras como neste caso, toda execução tem que ser precisa e repetida nos mínimos detalhes. Assim é melhor gravar cada trecho (16 compassos, por exemplo) e já dobrar em seguida. Quando se toca a música por completo e depois dobra, torna-se complicado memorizar e provavelmente será difícil de conseguir o efeito desejado.
Após as guitarras, hora do violão nylon. Um interlúdio em estilo barroco em dueto com o violoncelo. Por opção resolvi gravar três canais, dois dobrados por igual e um terceiro executando uma ponta. Está é uma boa opção para criar uma sonoridade bonita de violão, principalmente para nós guitarristas que não temos a mesma habilidade com a mão direita. Apesar da dificuldade de dobrar de forma gêmea ganha-se em timbre.

Depois destas inúmeras horas sendo contrariados pelo “grid” deste infernal sistema binário, saímos para comer o chorizo merecido e nos divertir com a cara dos argentinos.

12 comentários:

Anônimo disse...

Hola Kiko, espero que la estes pasando bien en Argentina, vi algunos videos de la convencion de Tagima, Vernon me envio los links, tienen muy buena produccion, espero que algun dia se haga algo asi en Mexico, saludos desde Monterrey!
Martin

Luciana MN disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Adriana Krauss disse...

Oi Kiko,

Texto maravilhosamente escrito. Palavras muito bem escolhidas. Ficou atraente e segurou o leitor até o fim.

Adorei.
Sucesso! Venha fazer shows em SC.

Adriana Krauss - Floripa

[kell] disse...

Deve ter sido realmente cansativo e tenso a gravação no estúdio, mas com certeza valeu muito a pena, não?!
Afinal, toda a banda reunida num estúdio não é sempre que se consegue.
Em relação ao show da Tarja, todos estavam maravilhosos, inclusive você ;D.
O Mike cometeu alguns errinhos, deixando a baqueta cair muitas vezes, mas faz parte. Ninguém é perfeito...
Bom, estão todos de parabéns ;D
E tá na hora de fazer um show novamente, não acha?!

Beeijos,
Kelly

::mari m.:: disse...

KIKO KIko!!!

Cara! mas tá reclamando mto...vc tem uma vida fascinante de músico de sucesso!!
Realmente concordo que Estúdio e Palco são mundos radicais,mas queria o que,heim?
A recompensa vem com o nível da mais alta qualidade do seu trabalho e tdos os outros envolvidos...SENSACIONAL!!
Fantástica essa sua vida,repleta de aventuras e mto SUCESSO,nem dá tempo para um estresse,hehe..
Que infernal sistema binário!?!..Afinal o
chorizo (pra quem gosta),compensou tdo,não?
Valeu esse texto "estilo Kiko",que eu gosto muito.xDD.
Abraços!! ::mari m.::

Camila disse...

" “a boa agora”, que significa que sua tentativa foi fracassada. Este eufemismo pseudo-encorajador até ajuda pois a gente sempre tem fé que pode fazer melhor"

adorei essa parte... haahahahahaha...

legal a dica do violão...

beijo!

>eMi_FujimiyA< disse...

trabalho maravilhoso + texto maravilhoso = fãs do kiko plenamente satisfeitos!rs

bjos emi

Pamella Gaiguer disse...

Mas soh vc mesmo hein...
quer q t mande as fotos da pizzaria ou alguem ja mandou?
byebye
beijo!
PamÉlla

Anônimo disse...

cara...
comecei a poucos dias me aprofundar na historia do angra e nos seus integrantes, e descobri que para ouvir metal nao preciso ir pra fora do brasil... parabens vcs sao FODA, cada um em seu instrumento...
Kiko, eu como varios fans gostariamos de ver o angra novamente surgindo das cinzas como a phenix e destruindo o mundo em um novo album em 2009. pense nisso

Drika Bastos disse...

Tocar no palco é sem dúvida mais legal, porque a energia é outra,mas tudo na vida tem seu preço!!!E tocar em estúdio não é tão ruim assim......
Obs: Adoraria ter estado lá para tirar uma no nossos "hermanos" Argentinos, muito bom!!!!!!!!!!!!!!

TANA disse...

Hola kiko, mi nombre es Paola y soy argentina..comento justamente aqui porque recien estoy checkeando tu blog. Es hermoso e interesante todo lo que he leido, y realmente agradezco compartirlo contigo desde aca.
Me da un poco de pena que tuvieras una mala experiencia con los "boludos argentinos" y me choca un poco que terminaras riendote de sus caras..pero bueno,,asumo que boludos habra en todos lados..
Estuve en el recital de Angra el 20 de diciembre, estabas serio y un poco distante..acaso es tan mala tu experiencia con los argentinos?
Solo queria pasar por aca, y recordarte que hay algunos "boludos argentinos" que nos recorrimos 2000 kilometros para verte, nos morimos de calor y sed y nos incrustamos la valla para tenerte cerca, compramos tus productos, te alentamos y apoyamos..solo quiero que recuerdes eso la proxima vez que hables de los argentinos..aca como en brasil tambien hay gente trabajadora humilde y simpatica que te quiere..espero que recuerdes eso la proxima vez que te refieras a los argentinos como "boludos"..
SUERTE Y EXITOS EN 2010

Anônimo disse...

oi kiko sou Marcelo e sou fã do seu trabalho te desejo muita sorte no seu trabalho!!!