27 de novembro de 2009

Ordem dos Músicos

Segue uma carta que esta na internet. Um pouco atrasada para postar aqui, mas importante para conscientizar e divulgar à todos um pouco do despótico e desprezível antro que é a Ordem dos Músicos

Carta aberta ao presidente da Ordem dos Músicos do Brasil
Álvaro Santi 18 novembro 2009


Senhor Presidente: No mês em que se comemora, dia 22, mais um “Dia do Músico”, acuso o recebimento do habitual boleto bancário, que me envia V. Sa. sem falta desde 1985, quando recebi com orgulho minha carteira de músico, emitida no exato dia em que completei a maioridade. Acompanha o boleto a habitual missiva, a me lembrar que “a Ordem é dos Músicos”; e o adesivo com a frase “Músico, valor em si”. Uma vez mais, pergunto-me que valor seria este que só o músico tem “em si”. E constato que todo o conteúdo deste envelope me causa a mais profunda frustração.

Sinto pois a necessidade de confessar-lhe, Sr. Presidente, que este ano gostaria de receber outra coisa. Algo surpreendente, como notícias do processo eleitoral. Melhor ainda, a notícia de que o famigerado Código Eleitoral foi alterado, estendendo o voto a todos os músicos, já que há mais de 20 anos só votam os que lêem música, ainda que tal discriminação não tenha amparo legal e, é claro, todos recebam o boleto idêntico.

Mande-nos notícias também sobre os esforços que a OMB, autarquia federal integrada ao Poder Executivo, tem feito em nosso benefício, promovendo o debate e o encaminhamento de questões sérias como a informalidade, a pirataria ou a educação musical (matéria de lei federal recentemente aprovada); entre outras. Quisera conhecer as propostas, elaboradas por V. Sa. e seus pares, mui dignos membros dos nossos Conselhos Federal e Estaduais, para a urgente atualização da Lei 3.857/60, que no ano que vem completará 50 anos sem uma única alteração! Quisera mesmo saber quantos músicos lograram se aposentar no Brasil como músicos, neste período. E quem sabe ainda, que luxo, receber de V. Sa. uma prestação de contas sobre os valores arrecadados neste meio século, especialmente através do célebre Artigo 53 da mesma lei, aquele que destina à OMB 10% do valor do cachê dos músicos estrangeiros, assunto que a imprensa já abordou, apontando o subfaturamento do contrato dos Rolling Stones. Ou ainda, saber de V. Sa. que medidas foram tomadas para que o caso, amplamente noticiado, do jornalista de Carta Capital que recebeu a carteira da OMB sem saber tocar, não se repita. Ou quem sabe, Sr. Presidente, conhecer da argumentação que o insigne departamento jurídico da OMB terá preparado a fim de combater a tese, que nos tribunais vai ganhando força, da “ausência de risco para a sociedade” no exercício da profissão de músico. Tese esta usada, ao abrigo da garantia constitucional da liberdade de expressão artística, com o intuito de desobrigar os músicos de seleção, registro ou pagamento de anuidade à OMB.

Ficaríamos felizes em saber, Sr. presidente, eu e outros que discordam ou têm restrições a essa tese, que a OMB vem recorrendo das sentenças. Argumentando, por exemplo, que quando um jovem toca por diversão em um bar, existe o risco, ou mesmo a certeza, de que mais um artista que há muitos anos escolheu viver da música profissionalmente, terá de encontrar outro meio de sustentar sua família. Como V. Sa. já deve ter percebido, sou um otimista incorrigível e seguirei aguardando essas boas novas. Se não no dia do músico, quem sabe no Natal. Nem precisa enviar pelo correio: ponha tudo no site. Mas se for para me enviar de novo essa tralha, Sr. Presidente, por favor, não gaste mais selo comigo. Economize, que é tempo de crise.

Cordiais saudações.

Álvaro Santi
Titular do Conselho Nacional de Política Cultural

17 comentários:

Almada disse...

Valeu Kiko...embora antiga essa carta...eu ainda não a conhecia...passam adiante...valeu

Kako Sales disse...

O conteúdo desta carta mostra claramente várias razões para que eu, Carlos Sales, 22 anos, músico desde os 15, tocando profissionalmente desde os 18, até hoje não fiz a mínima questão de adquirir, ou associar, ou me integrar, ou qualquer que seja a palavra correta para me ligar à Ordem dos Músicos do Brasil. Tal carta retrata tão bem a realidade da situação dos músicos em nosso país que exemplifica concretamente o fato de muitos de nós termos que nos desviar do mundo musical para procurarmos outros meios de nos sustentarmos, posto que não temos amparo palpável algum em nossas investidas musicais, tanto que tive que me desligar da música este ano por ter sido aprovado em um concurso público, o qual me proporciona condições dignas com relação a estabilidade financeira, plano de saúde, entre outros, apesar de não me proporcionar nem um centésimo da satisfação que sempre tive de estar nos palcos, ou mesmo em um barzinho fazendo um voz e violão... No momento em que a profissão de músico no Brasil seja valorizada, e não digo que quero ficar rico, quero reconhecimento do poder público e das organizações responsáveis, serei o primeiro a me integrar à OMB.

Camila disse...

É, mas é isso aí... Como quase todos os demais órgãos que, no Brasil, só existem para favorecer pequenos grupos de interesse. E isso está tão intrínseco e repetitivo que já virou clichê essa frase. Por isso não existe uma intensificação para quebrar a burocracia de serviço público, que nada mais é do que a "máquina de lavar" que permite a entrada do 'inconstitucional' para a 'regra das exceções' (controverso né? Mas é isso que a burocracia faz, torna a exceção uma regra à parte e, lógico, individual e parcial). E isso vale para todas as outras ordens. O que fazer? Se alguém descobrir, me avise que eu ajudo a levantar a bandeira... por enqto o bracinho aqui cansou. rs.

MG disse...

Esse é um dos motivos que eu deixei essa vida pra traz! (rs)

Anônimo disse...

Preferiria saber los problemas de Angra con tanto lujo de detalle. Me gustaria tambien saber lo que estas pensando tu respecto a la carta que has publicado aqui...
Maria

Luísa. disse...

Olha, eu também imaginei que fosse algo do tipo, como é tudo o que se mete com administrações em geral hoje em dia. Por isso eu digo que a Ordem dos Músicos só serve pra conseguir entrar de graça na Expomusic e se safar de eventuais multas por poluição sonora. Ou é mentira?? XD

Alexandre disse...

é, infelizmente vida de musico no brasil nunca foi e nunca vai ser facil...quem quiser ser um musico que se preze tem que ralar muito...eu sei porque, infelizmente, tive que largar essa vida pra fazer facul...mas eu sei q um dia vou estar tocando por ai fora...pq é isso q eu quero fazer da vida...O kiko naum é so um musico mas tmb alguem q tem opniao e nos mostra que é sempre bom acreditar q um dia as coisas vaum dar certo...

Nélio Rocha disse...

Lamentável! O incentivo à cultura neste país torna-se impossível assim...O que eles querem? Que viremos todos políticos ou profissionais concursados!Fechem os teatros, cinemas,livrarias, proíbam os concertos de todo gênero, queimem qualquer instrumento musical em território brasileiro!Sem cultura!Sem identidade!Sem expressão!Sem incentivo social!Simplesmente uma sociedade sem vida, corrupta e violenta!Será que é difícil para as "vossas excelências" perceberem a gravidade da situação e dignificarem uma profissão de peso indistinto de todas as outras? Avidamente eu me questiono...

Leandro Justen disse...

Essa carta foi um desabafo de muitos músicos na voz de um.
Estou começando ainda e já sinto a dificuldade deste nosso mundo. Tenho 19 anos, moro sozinho e sustento a minha casa com a música, direta e indiretamente, pois toco, dou aula e trabalho numa oficina de intrumentos musicais há 3 anos.
Por parte de minha família houve um realismo, mas um grande apoio:
Leandro, ser músico não dá dinheiro, você vai passar necessidades e não vai crescer, mas te damos total apoio.
O único apoio que deram foi de não me impedir de escolher esta vida.
Vendo esta carta, me dá uma sensação de falta esperança, por conta de não acreditar na credibilidade dos órgãos que cuidam da burocracia e da legislação de meu trabalho.
Um grande exemplo que tive, foi ao pesquisar sobre a carteira de músico. "Esta carteira te dá direito a cobrar baseado em uma tabela de preços"...Quando que isso acontece a todos os músicos que a possuem? Se fosse assim acho que estaria feliz, pois aqueles preços supririam todas as minhas necessidades.
Do mesmo jeito que fazem passeatas, abaixo-assinados, protestos para qualquer motivo imbecil e fútil, acho que deveríamos almejar o respeito por nossos direitos e lutar por isso.
Neste pouco tempo que tenho de música, nunca conheci um músico que tenha organizado um protesto, um abaixo-assinado. Saliento: não digo que não existe, só digo que não é comum. O que me faz pensar que muitos se acomodam e não lutam por uma regularidade em sua vida. Percebi por esta carta e com a vida, que para nós tudo é regulamentado: nossos impostos, nossas carteiras, nossos documentos, nossas declarações de imposto de renda, nossas multas...Mas os nossos direitos de cidadãos não, que dirá o direito de cidadão´s que tem como música a profissão, até porque música nunca foi tratada dignamente como uma profissão. Antes sempre marginalizada, hoje, essa falsa aceitação.
Eu me prometi que enquanto o fato de escutar música me causar a sensação de grandeza e infinito que sempre senti, vou continuar apostando em mim e em meu talento.

Como conclusão gostaria de mostrar músicos que tem visibilidade na mídia poderiam ajudar nesta luta, afinal eles conseguiram, mas ainda são músicos.
Sem a música o mundo seria vazio.
Vamos continuar preenchendo este vazio.

Agradeço e parabenizo o Kiko, primeiro por ser seu grande fã há muito tempo e depois por ter um espaço de debate tão direto, mostrando assim que se importa com o que seus fãs e companheiros de po]rofissão pensam.
E agradeço mais ainda, pois se escrevo hoje aqui como guitarrista que sustenta a sua casa com suas cordas, é por causa de kiko, que me conquistou lá doss meus 4aos 8 anos de idade quando ouvi os CDs do angra: angels cry, fireworks, holly land.
Continue me surpreendendo Kiko. Abraços

Will Cipriani disse...

Eu não sou músico profissional. Tenho a música como um hobby mas tenho muitos amigos que são músicos profissionais. Além dessa carta que o Kiko citou,circulou também uma Carta Aberta distribída em um evento da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) concientizando a população e se manisfestando contrariamente a um projeto de lei que exigirá registro junto a OMB tanto de músicos profissionais quanto dos amadores para que ambos possam fazer apresentações públicas, incluindo aquele que como eu tocam voluntáriamente em igrejas e outros eventos sem fins lucrativos.

Chicão disse...

Fala, Kiko. Como vc tá? Eu escrevi no meu blog exatamente sobre OMB. Isso é uma piada, né, cara? Como qualquer ordem.

http://franciscoschieber.blogspot.com/2009/11/eu-tambem-ja-precisei-de-uma-ong.html

Abs e tudo de bom.

Oswaldo Fioravante disse...

Parabéns ao Kiko pela magnífica carta!OMB= Órgão Militante de Bandidos.Sou músico e jamais me afiliarei à essa corja de bandidos da omb! OMB= Cambada de pilantras parasitários! Já dizia Caetano Veloso: Fora da Ordem! A OMB está mais suja que pau de galinheiro! E essa porcaria de carteirinha,não serve nem para limpar a bunda.

Carla disse...

Oi Kiko,
Você está certíssimo em questionar os direitos dos músicos.
Eu tenho a OMB/SP do tempo da Dna. Ondina Magalhães ( + 20 anos rsrsrsr)e só serviu para pagar o boleto até o ano passado, não vou pagar mais. Apesar da minha formação musical, não trabalho na área. Pago o CRC/SP a uns 19 anos, é a mesma coisa, todos os anos tem que pagar para poder trabalhar e em breve pagarei também a OAB/SP, Acadepol etc...
Infelizmente é assim que funciona.
Você está certo em fazer valer o direito!

I.M.T(instituto musical tecnológico) disse...

Não é só na profissão de músico que isso acontece...espero que um dia essa palhaçada acabe.

Anônimo disse...

Máfia de FDPs!!
Um engenheiro, arquiteto ou um médico precisa de uma fiscalização muito maior que um músico. Se fizerem o trabalho errado matam pessoas. E o leigo não tem como distinguir o bom do mau profissional. Músico, de cara vc ouve se o cara é bom ou não. E se ele errar, o máximo que acontece é receber uma vaia...se bem que tem gosto pra tudo.
Aliás Kiko, vamos montar uma banda de música eletrônica? Hein bacana? Rsrsrs
Grande Abraço Bro, Alja.

OSWALDO FIORAVANTE disse...

Vocês sabem qual a diferença entre a "ordem dos músicos e a classe política"- no Brasil? Resposta: NENHUMA! Ambos não servem para nada e são da mesma laia.São todos farinha do mesmo saco!Um bando de inconsequentes,ladrões,estelionatários,parasitas,etc...esses pilantras vigaristas dessa tal omb,que só serve para estorquir músicos ignorantes que ainda continuam a tirar essa porcaria de carteirinha que não serve nem para limpar a bunda!

Anônimo disse...

Pagamos para fazer uma arte "decente" enquanto na mídia o que escutamos é a decadência total da música brasileira. Se a mídia investisse realmente na música séria e não nas apelações sexuais teriamos dinheiro para pagar uma anuidade que não é tão cara mas é uma boa parcela do faturamento mensal. Na minha cidade um músico da banda municipal tem que ter a carteira da OMB e prestar concurso publico "pesado" e com exigências acadêmicas para ganhar um salário mínimo ..... ai eu pergunto! Onde está a OMB???? e os nossos direitos???