30 de abril de 2009

FULLBLAST


Além das novidades do Neural Code e shows do Angra, agora mais uma para vocês:

"FULLBLAST"

Meu novo cd solo gravado com Mike Terrana e Felipe Andreoli

Para saber mais já está no ar o novo site que mostra tudo e mais um pouco.

www.kikoloureiro.com.br

O texto do cd que também está no site

FULLBLAST



Depois do lançamento de dois álbuns que de tão diferentes poderiam até serem considerados complementares, pairava no ar a interrogação: E agora? Qual será a próxima empreitada de Kiko Loureiro?

O primeiro disco, No Gravity, baseou-se na veia mais agressiva e pesada de Kiko; um lado mais selvagem e atlético e no entanto complexo, com faixas nas quais o Heavy Metal é mesclado e fundido com a música brasileira.

Em seguida veio Universo Inverso, trazendo faixas mais subjetivas e de um refinamento que você quase pode sentir nas pontas dos dedos. Um álbum focado em criar um Fusion Brasileiro e Latino, colocando em uso a paixão de Kiko pelo jazz e a música tradicional do Brasil.

Mas o que esperar em seguida de um músico que com sua versatilidade já passeou pela noite e pelo dia de seu leque de influências? Que direção tomar? Qual seria o estilo predominante? Qual a formação e quais as características dos músicos colaboradores?

O processo criativo de um artista nasce da expressão subjetiva e incontrolável, cujo início se dá no coração, é filtrada pelo cérebro e flui para o instrumento. A inspiração para uma composição deve surgir sem pré-conceituação. FULLBLAST nasceu nessas circunstâncias. Fluindo naturalmente da energia do rock-heavy e temperado com os ritmos, sons e linguagens brasileiras.

A idéia deste trabalho é deixar aflorar a ambiguidade das personalidades musicais de Kiko, mostradas de forma pura seja em seus lados extremos ou em fusão. Encontram-se em FULLBLAST desde uma faixa de violão e percussão com raiz no puro samba, até uma faixa de puro Heavy Metal que resgata as origens musicais do guitarrista no começo do Angra.

A meta principal durante a composição do álbum foi encontrar uma linguagem em que estes universos musicais encontrassem uma intersecção, convivessem em harmonia e se complementassem.

O “terceiro lado” desta dialética musical de Kiko Loureiro é a paixão por orquestração e música erudita que Kiko ainda não havia expressado de forma tão contundente em seus projetos solos mas que estavam presentes no Angra. FULLBLAST traz o resultado do desafio de transcender estilos e suas limitações misturando ao máximo as informações e ainda assim mantendo coesão e uma sonoridade particular.

Faixa à Faixa:

Headstrong
O riff de entrada me traz à memória os meus bons momentos procurando aprender as técnicas e músicas do Eddie Van Halen. Os temas principais traduzem o que eu mais ouvia logo após meus primeiros dedilhados na guitarra, como por exemplo Steve Vai e Satriani. O interlúdio é uma quebra jazzista que ocorreu futuramente nos meus estudos. A parte latina em 7/8 que surge em seguida é pura influência dos últimos anos com o trabalho “Universo Inverso”. Nesta música acredito ter encontrado a forma de mostrar a minha história musical. Headstrong funciona como uma viagem aos meus aprendizados de forma claramente cronológica, sem no entanto ter sido feito de forma premeditada.
Portanto Headstrong (de cabeça erguida) seguimos a vida para receber, absorver e evoluir.


Desperado

Por algum motivo que desconheço, a introdução cria na minha cabeça imagens dos Desperados, ou daqueles Zapatistas mexicanos e claro da imagem dos Cangaceiros brasileiros. Assim por reflexo instantâneo deixei este nome.

Essa faixa é uma viagem de ritmos e texturas bem brasileiras e pesadas que se fundem buscando sempre algo novo para mim. A percussão está propositadamente presente para criar esta sonoridade. Gostaria de ressaltar o berimbau afinado com as guitarras criando uma textura nova dentro dos meus trabalhos.

As tonalidades variam constantemente, e criam atmosferas diferentes. Não só na instrumentação, mas a harmonia é fundamental para criar camadas sonoras variantes. Senti como uma missão e uma experimentação, buscar arriscar mais nas percussões e harmonias brasileiras.


Cutting Edge

O desafiador que mora dentro de mim sempre aparece com estas idéias. Melódica e rápida, esta música é uma desafio para mim e para quem toca ou pelo menos aprecia a plasticidade, tensão e emoção que a velocidade traz.


Excuse Me

Gosto sempre trabalhar com contrastes no álbum, as notas rápidas e harmonias complexas com baladas em tom maior. Trazem paz quando as toco. As notas longas e espaços são ótimos para explorar a expressividade da guitarra que é, afinal um dos instrumentos que proporcionam uma riqueza infinita de expressão.
O título e clima da música está relacionado ao sentimento de quando você desaponta alguém que gosta e respeita.


Se Entrega, Corisco!

Quem não conhece a frase do filme do Glauber Rocha? “Deus e o Diabo na Terra do sol”. A trilha sonora, que já conheço desde pequeno, é uma das obras primas da música brasileira e a cena é das mais marcantes do nosso cinema.

A música tem toda o clima do Nordeste brasileiro e apesar de não ser um, posso dizer que moro em São Paulo, a maior cidade nordestina do Brasil.
Vale dizer que os sons da introdução sou eu conversando com um vendedor de cd pirata no largo treze em São Paulo. Lá encontramos vários filhos de Corisco vendendo CDs a dois reais.


A Clairvoyance

Em uma tarde de chuva compus esta música. Partiu de uma pequena idéia que eu já tinha e que virou parte da música Waiting Silence do Angra. A partir da mesma idéia inicial criei esta música.

O violão que está com afinação de viola caipira traz a qualquer execução uma forma mais intuitiva, pois afinal as notas estão todas “fora” de lugar. Assim o caminho que os dedos conhecem não funcionam e o cérebro fica perdido, esperando só a percepção sonora. Clairvoyance é aquele que enxerga além, uma situação quase de percepção extra sensorial...


Corrosive Voices

Não há mais representativo instrumento da musica brasileira que o berimbau.
Ele apresenta o riff principal da musica, um samba em 7/8.
Esta faixa também busca uma nova perspectiva para um heavy metal bem brasileiro.
Diversos trechos mais velozes contrapondo com sons pesados porém com ritmos genuínos brasileiros.


Whispering

Esta é a faixa mais antiga do álbum. Já tinha composto parte da melodia em casa e a parte B em um momento de espera antes de entrar no palco para uma apresentação na Tailândia.

Mais uma semi-balada bem ao estilo americano pop, que estão sempre em tons maiores. A tradição da musica latina e/ou portuguesa que nos influenciou muitas vezes é bem mais melancólica pelo fato de estar sempre em tons menores.
O tom maior deixa a musica mais feliz e esperançosa, porém para não deixar de lado a raiz, coloquei no final um longo improviso bem latino em tom menor para não esconder a melancolia que temos dentro da gente.


Outrageous

A dialética e dualismo de uma melodia repetitiva contra um riff mais furioso é o conceito desta música.

Inicia com uma das minha predileções, uma atmosfera World Music, com orquestrações e derbak que incita um som mais arábico. Mistura as três coisas que gosto muito de tocar, violão, percussão e criar orquestrações.

Esta lembra muito o Angra, não só pela velocidade constante da bateria mas pelo estilo de Riff e melodia.





Mundo Verde

Contrastante com a faixa anterior, esta é um puro samba. Sempre tive e terei orgulho da nossa música, com sua união de complexidade e capacidade de atrair qualquer um, mostrando a real possibilidade da convivência entre erudito e popular. Sem Power Chords e muitos acordes complexos, este tema mostra o extremo outro lado da minha musicalidade.
O título soa ecológico , mas no fundo o verde vem da musica estar em D maior. Por algum motivo sinestésico, sempre ouço”verde”quando toco um Ré maior.


Pura Vida

Em Costa Rica as pessoas se cumprimentam com o “Pura Vida” uma mensagem bonita que transmite que “a vida é bela”. Sempre indicando vibrações positivas para o próximo.

Esta faixa , baseada inteiramente em um Maracatu, foi a ultima do álbum. Em meio às gravações da bateria, achei o álbum estar muito complexo e precisando de uma musica que respirasse mais. Algo que não tivesse, solos complicados, bateras nervosas. Só queria que a cor Pura Vida aparecesse na melodia, que fosse singela porém de cor viva.

Compus a idéia em uma noite antes de voltar para o estúdio para o ultimo dia de gravações de bateria. Criamos o loop do Maracatu e pedi para o Mike tocar sobre e ouvir os acordes.

A melodia simples com as percussões e orquestrações formam uma camada boa para criar melodias com muita expressividade.

As It Is, Infinite.

Turnês, quartos de hotel, tour bus, avião e salas de espera são mundos muito solitários. Assim meu melhor amigo acaba sendo o violão. O tempo passa sem questionar e esta sensação de atemporalidade sempre aflora boas idéias e composições que refletem e transmitem em notas e acordes os momentos ali vividos.

Adoro o som do acorde menor com sexta. A música está cheia deles, e em diferentes tonalidades.

25 de abril de 2009

NEURAL CODE

Para avisar!!

SHOW gratuito Neural Code ( Kiko Loureiro, Cuca Teixeira, Thiago Espírito Santo) no SESC Consolação, quarta-feira dia 29 de abril às 19:30.

rua Dr. Vila Nova, 245 Vila Buarque São Paulo


abs
kiko

16 de abril de 2009

EUROPA TOUR 2009









Sofrendo com frio aqui do vôo da TAM Londres-São Paulo vou contar um pouquinho do que aconteceu nas últimas três semanas em que eu viajei pela Europa.
Partida - São Paulo-Frankfurt:12 horas de martírio apertado em uma cadeira com um cinto atachado, comida requentada feita não para saborear mas sim para sobreviver. O piloto anuncia o “welcome abord” e o “desfrute nossa seleção de filmes e opções do cardápio”. Sarcasmo máximo, parte do trabalho, já acostumei.
Direto do aeroporto ao trilho do trem Tedesco para uma viagem de três horas para Basel na Suíça. Não podia perder as conexões, pois o workshop seria no mesmo dia.
A viagem seguiu tranqüila até a fronteira Alemanha-Suiça onde o controle policial costumeiramente entra no vagão para “averiguar”. Como o ponto de partida do trem tinha sido Amsterdã, local de libertinagem narcótica notória, quem vocês acham que eles foram “averiguar”? O mesmo que possuía uma guitarra e passaporte latino-americano, é claro.
Chegando em Basel fui para uma cidade vizinha de nome quase impronunciável e seguramente esquecível para deixar minha mala e preparar-me pra ficar apresentável para o workshop. Passado o work, o melhor da noite foi eu poder mostrar meu talento no pimbolim ou pebolim ou totó ( cariocas desculpem-me mas este nome não soa bem, é nome para cachorro), jogando contra os suíços alemães.
De Basel fui para Roma. Acredito que todos os caminhos que levam à Roma devem ter um guarda de fronteira que desconfia do passaporte azul-brazuca. Mais uma vez quebraram meu sono para revistar minha mala.
Em Roma tive tempo de dar uma volta pelo Coliseu e observar a alegria dos Japoneses tirando foto. Eles são sempre uma atração extra.
Contorça as pernas como se tivesse algum problema motriz, incline o tronco para um lado, torça a cervical para o lado oposto ao ponto do queixo quase encostar o ombro. Traga a mão ( qualquer uma, só para não complicar mais) com os dedos estirados em “V” de vitória e encoste a ponta de um deles na bochecha. Abra um sorriso e diga “xiiiizuu”. Esta é a nipo-pose básica.
Na foto acima a japa ousou em tentar outra pose e devido a demora o guardião notadamente, dormiu.

Depois do work em Roma fui para Modena. Terra da Ferrari, Masseratti e amplificadores Brunetti. O melhor foi dar um volta em uma igreja Medieval. A pedra quadrada da foto é onde o carrasco enforcava ou decapitava em praça pública os meliantes de outrora.

Depois direto para Aschafenburg ( foto) na Alemanha com direito a acordar às 5 da manhã para não perder o vôo. Manhã seguinte, Alemanha direto para Madrid.
Com alguns dias livres na capital Espanhola, procurei entender os horários deste país que todo mundo fala igual ao Romário, Lula e Vicentinho. Funciona assim: Acorde a hora que preferir, mas de preferência por volta das 9hs. Tome café da manhã, trabalhe um pouco. Pause para um “tapas”, isto é, guloseimas ibéricas. Trabalhe mais um pouquinho e pare para o almoço.
Daí dê uma dormidinha de duas horas ( siesta) e volte a trabalhar( mas só um pouquinho). Por volta das seis, pare para outro tapas e trabalhe mais um pouco. Lá pelas dez da noite vá para casa jantar. Balada? Esta começa as duas ou três da manhã e vai até as seis.
Na última vez que estive em Madrid descobri um recanto de ciganos que tocam flamenco. Fui lá de novo em um bar chamado Soleá ( foto) Uma salinha com uns 30 homens, onde todos menos eu fumavam. Uma névoa angustiante no ar, apinéia na certa. Mas o som... Violão flamenco e cada um em sua vez improvisando com o canto esgoelado e sofrido dos andaluzes... O som vale tudo .Vale o sacrifício, mesmo que no dia seguinte esteja tossindo como um asmático crônico.
De Madrid fui à Toledo, antiga capital da Espanha. Antes do império dos Reis católicos e a mudança para Madrid. Kikultura!
A cidade é fenomenal e bonita. Lá comi uns doces de marzipan feitos pelas irmãs enclausuradas. Freiras que não vêem a luz do sol, não vêem as pessoas deste mundo, sempre a esperar o Messias. Porém, escavações para descobrir ruínas na cidade, descobriram fetos bem debaixo das enclausuradas.
Nas ruínas dos Mouros, arruinadas de moral.

Depois de Toledo, Paris para um dia livre. Comer um crepe e assistir um show de Jazz Manuche. Os manuches são a vertente cigana que foi parar na França. Ótimos músicos sempre!
De Paris à Bordeaux para outro workshop, e da terra do “vin rouge” para Plymouth-UK para o último work.
Plymouth é o porto historicamente mais importante da Inglaterra. Dali saíram as embarcações para a Nova America ( Miflower), Nova Zelândia e Austrália.

Ao chegar na Inglaterra o contratante levou-me ao hotel para, segundo ele, dar um “freshing up”. Quer dizer, dar um a refrescada ( a palavra em inglês vem acompanhada de um tapinha com cada mão em uma bochecha). Não entendi bem, mas sabendo do histórico inglês onde nos idos tempos só a Rainha tomava banho, e isto era uma atividade semestral diga–se de passagem, compreendi a mensagem.Tradição da majestade incrustada na população. Ficamos nós com a nossa que é melhor. Vinda dos índios, que tomam banho todos os dias, com água corrente e limpa.

O último dia em Londres foi o típico de turista, com direito a London Bridge e tudo...
Agora de volta ao caos urbano paulista em contagem regressiva para os shows do Angra.

Abraços e beijos!
Kiko

15 de abril de 2009

YOUNG GUITAR 2009


YOUNG GUITAR Maio 2009

Mais uma vez estou feliz em mostrar capa da Young Guitar deste mês!

Abraços e beijos

2 de abril de 2009

NEURAL CODE




Para os aficcionados em música instrumental brasileira atual eis aqui o meu novo trabalho ao lado de Cuca Teixeira e Thiago Espírito Santo.

www.myspace.com/neuralcode

Para comprar pela internet

www.musicalgrellmann.com.br/

www.freenote.com.br

Em breve coloco as notícias do meu novo cd solo que saiu no Japão e aqui sai no próximo mês. FULLBLAST


Abraços!

1 de abril de 2009

Via Funchal

Para quem quiser ir no show e participar da festa!

http://www.musical-express.com.br/br/promo/