5 de junho de 2009

Guitar Player - mais um post

Este é o post que saiu edição de banca da Guitar Player.
Conforme prometido, sempre coloco aqui na net os texto que saem na revista.

Este é sobre o Neural Code e caminhos artísticos.
Abraços KIKO

NEURAL CODE
A eterna busca de um caminho musical diverso e desafiador tem de estar dentro de cada um de nós. O músico deve equilibrar dentro de si uma arrogância benéfica que o deixa seguro para mostrar sua arte e a dúvida constante e perturbadora de que esta arte realmente condiz com seus anseios pessoais.
Quando se encontra esse equilíbrio e as pessoas o reconhecem e aprovam, a satisfação é plena. Uma recompensa por tanta dedicação à música. Porém, essa sensação nem sempre é duradoura e infinita.
Por isso, a busca de caminhos artísticos diversos deve estar sempre em primeiro plano para um músico sincero com si mesmo e com desejos artísticos fortes. Foi essa busca que Cuca Teixeira, Thiago Espírito Santo e eu fizemos na gravação de nosso novo trabalho, Neural Code.
Pesquisa, entrosamento, experimentação, diversão, misturas, sinergia, pletora de informação musical. Colocamos em oito faixas nosso código neural, ou seja, nosso DNA cérebro-musical. Procuramos a satisfação com o que temos de mais seguro em cada um e com o que podíamos buscar de mais desafiador – fórmulas de compasso, estilos, texturas, timbres, ritmos, harmonias e melodias que surgiram por meio dessa intersecção cerebral de três pessoas que possuem um histórico musical diverso.
Nós nos encontrávamos semanalmente sem ideias preconcebidas e, a partir de momentos de improvisação e jams, os temas tomavam forma. A cada dia, a cada ensaio, uma música nascia de forma natural e satisfatória para os três – uma composição com aprovação instantânea e a participação de todos. Nessa forma de criação, o ego fica de fora do estúdio e a colaboração é fundamental.
Em meus workshops, é recorrente a questão sobre composição. De onde surge a ideia? Como criar uma música? Melodia ou harmonia primeiro? E por aí vai... Compor é uma prática. Assim como temos a preocupação com o estudo de técnica – ficamos horas e horas treinando escalas, arpejos, tapping, ligados etc. –, a habilidade de compor também nasce por intermédio do exercício diário. A partir de uma simples ideia – que pode ser uma pequena melodia ou dois acordes com os quais você se identifique ou ainda uma levada interessante –, como ter a criatividade e o controle para sair desse ponto de origem e produzir uma peça com inúmeras partes? Um pensamento leva a outro. Um clima inicial sedimenta um conceito que serve de guia para uma música inteira.
É fundamental reservar um tempo do seu estudo para a criação de algo que seja inteiramente próprio. Comece por algo simples e desenvolva-o. Se não gostar do resultado, encare como um exercício e repita o procedimento. Com certeza, boas ideias aparecerão. Para saber mais sobre o novo CD que gravei junto com Cuca Teixeira e Thiago Espírito Santo, visite www.myspace.com/neuralcode.