10 de dezembro de 2010


MÚSICA, ACIMA DE TUDO

Cinco dias efervescentes, ainda mais este ano, com a economia do “companheiro” Lula a todo vapor. Empresas fazendo de tudo para chamar a atenção com seus letreiros de plasma e pegar carona na alavancada do país do futuro.

Expomusic 2010. Além de todo negócio envolvido, do qual nós, músicos, passamos ao largo e observamos pela tangente, o melhor dessa festa é encontrar os amigos, instrumentistas, lojistas, representantes e todas as pessoas que trabalham de forma direta e indireta com nossos objetos de consumo.

A cada ano que passa, sinto-me um ancião. Sou dos poucos que já frequenta esse evento desde a época da bienal, no Ibirapuera. Lembro-me de, em 1992 (pasme!), Edu Ardanuy e eu no estande da Zoom tocando a partir da abertura das portas até o encerramento. Todos os dias, sem parar! Foi a minha primeira Expomusic, na época da liberação das importações pelo nosso ex-presidente yuppie. Era o embrião do que existe hoje. Quando, em 1994, a feira mudou-se para o Expo Center Norte, mostrou mais pujança e, daquele momento em diante, estamos lá todo ano, como um déjà-vu cíclico em espiral evolutiva.

A memória, que normalmente me engana, decifra ainda várias das maravilhosas jams das quais participei e não me recordo ao certo o ano, mas lembro das músicas, dos instrumentistas e das amizades nascidas ali. Marcantes também os lançamentos dos álbuns Universo Inverso e Neural Code, no Music Hall, os eficazes bombeiros cancelando uma tumultuada tarde de autógrafos do Angra, as bebedeiras dos amigos, os fãs e suas fotos em momentos que deveriam ser solitários nos banheiros públicos, as gafes misturadas com os sonhos, os talentos, os egos, as invejas e tudo mais que os poucos dias recheados de amendoins, pseudofama, vendas e, é claro, música proporcionam a cada um de forma muito diferente.

Mas, se por um lado, a feira parece um déjà-vu anual, percebi que algo mudou desde aquele longínquo 1992 até os dias de hoje. É essencial perceber e reconhecer que a fonte, a matéria-prima, o alimento de todo esse universo está no artista. Músico cria arte com instrumentos e não o inverso. Instrumentos podem ser grandes incentivadores da criação e desenvolvimento musical, mas nunca estão acima da criatividade e do instinto. Temos de ter a consciência de que somos nós que criamos a demanda para todo esse ambiente de Expomusic.

Na era do “preciso ter um endorsement para ser conhecido”, as coisas perderam o equilíbrio. O músico deveria vir antes do instrumento e a música, antes ainda do músico. Ela poderia existir por si só. Por isso, pense bem em como se inserir profissionalmente nessa área. Só a sua música vai lhe trazer reconhecimento, e não o instrumento. Formadores de opinião e criadores de sonhos e desejos, os músicos e artistas são a base de tudo. Sem nós, nada aconteceria.

28 comentários:

Hiram Bonifácio disse...

Gosteiii ^^, Salve Rondônia , sou de Jaruuuuuuuu hehehe, quiserem me add lowang.games@hotmail.com abraço

Mariana disse...

Te amo, cara. E vc não está velho

Mariana disse...

Te amo, cara. E vc, apesar de muitos anos de carreira, não está velho. É a experiencia que te engrandece. Sucesso. Apareça na capital goiana. Bjos

Denise de Oliveira disse...

Dizer que o instrumento vem antes do músico e ainda da música é bem a cara da era do consumo que estamos vivendo, e bem mais rentável para as poucas e grandes multinacionais que lucra rios de dinheiro todos os anos. Concordo com a sua análise, Kiko... O reconhecimento e a qualidade do músico vai bem mais além do endorsement.
Abraços e até o próximo post.

Fox`U-Skiter disse...

Voc ta com 38 kiko ta novo ainda...

Anônimo disse...

É eu me lembro desta de feira de 1992, foi quando conheci vários músicos, os quais eu nem sabiam que até aquele momento existiam, fui apresentada a grandes músicos naquele dia pelas mãos de meu irmão e agradeço a ele por me mostrar este mundo tão bom, o mundo da música. Naquele dia, no estande da Tagima(se eu não estiver enganada), tocavam você, Edu, Tomati, Faiska, Tomati, Joe, Mozart, e muitos outros que agora não estou lembrada. Foi uma tarde no Ibirapuera, inesquecível, conheci grandes pessoas, e algumas se tornarão grandes amigas, e outras ficaram apenas nas lembranças, mas foram boas lembranças. Sempre dou uma passada na Expomusic todos os anos, mas a magia que existia lá no começo em 1992, acho que esta não existirá mais, está tudo muito comercial, a verdadeira essência não existe mais.

abços e Boas Festas!!!!

Lita Barros disse...

Puts... Eu venderia um rim meu para ter ido te ver no Expomusic 2010! rs... Brincadeira, lógico!
rs...

Iris Gabrielle disse...

Que lindo, Kiko! Cooncordo plenamente com você! (Estou a cada dia virando mais sua fã hein!)
E a propósito, de velho você não tem nada! :P
Beijosss e uma excelente comemoração das festas de fim de ano! o/

Kaue Vaz disse...

Nossa muito bom isso!

Anônimo disse...

Kct Kiki. Post sensacional.

Danielli disse...

Grande Kiko! Falou tudo! Apesar de bons intrumentos e equipamentos ajudarem muito, não sai nada dali se não houver um bom músico fazendo uma boa música! Infelizmente hoje em dia as coisas não estão exatamente assim, por isso se veem tantas bandas surgindo hoje sem conteúdo nenhum e nada para transmitir através de suas músicas.

Monica Fontes disse...

Na era do “preciso ter um endorsement para ser conhecido”...

Acho justamente o contrário. O músico tem que trabalhar para se aprimorar no que faz, se tornar conhecido, e aí sim conseguir o endorsement.
E eu concordo que sem os músicos, nada aconteceria. Quem mantém tudo funcionando é o músico, e quem mantém o músico é o fã.

Beijo grande!

fx disse...

La creatividad al servicio del artista, el artista al servicio del mercado(?)

Estamos en la era de la apariencia, donde la persona se define en base a la marca, el logotipo, la superficialidad es mas fácil que pararse a escuchar, analizar y entender lo que un artista nos suscita. Solo cuando se ha trascendido la Superficie, se abren nuevos horizontes, donde se conecta con el artista desde el alma y no desde los ojos, para posteriormente disfrutar o rechazar la obra.

El instrumento es sin duda importante, pero es un vehículo, un medio, sin características propias. Hay mucha gente que cuya alma no esta preparada para disfrutar. En tal caso no es la audiencia precisa.

Poetas e LoUCoS _ ***** disse...

Tudo é fruto do amor e da dedicação. Kiko Loureiro é um grande musico porque antes de qualquer gana material sempre pôs a frente dos objetivos a qualidade criativa e profissional. O amor por fazer uma boa musica deveria ser a maior realização de um musico, e não a fama e o dinheiro.
Musica é arte e arte é tudo que se vê com um olhar diferente.
Eu já vi o muitos músicos como o Kiko tocarem com bons instrumentos e grandes recursos, mas o olhar de quem toca por gosto não da pra esconder.
Hendrix, Angus Young, Steve Vai…
Quem é bom faz arte com qualquer coisa. Kiko tem capacidade pra fazer maravilhosos solos em violinhas de plástico.

Anônimo disse...

Interesante conocer un poco tu vida de musico. Gracias por compartir!
P

ivanildo disse...

Isso e a mais pura verdade ... E nos musicos tmb temos culpa disso mas ...
Bom, essas colocacoes !!!

Abraco Mestre !

Dyah Prabaningrum disse...

music is above all and to make it, musicians is the main important role among all. wish you always enjoy your life as musician.

keep the energy !

*bjs

Maria Alice disse...

Isso é uma observação muito importante. O que é um bom instrumento sem uma pessoa muito talentosa tirando som dele? Acho que antes mesmos de pensar nas melhores marcas, nas marcas que os "grandes" usam, devemos pensar em quanto ele ralou para poder mostrar seu talento e ter reconhecimento até chegar lá...a final o equipamento pode ser o melhor, mas sem um cara que seja no mínimo esforçado, não sai nada! Muito legal! Abraços!

Igor disse...

Muito bem colocada a ideia. Vindo de uma personalidade como tu ganha mais sentido e força ainda. Sou assinante da revista e já vi um workshop teu aqui em Campo Grande. Parabéns pelo trabalho!

Ana Letícia Andrade disse...

Eu concordo plenamente.Mesmo a pior guitarra se torna ilustre nas mãos de um bom músico.Porém isso não quer dizer que o instrumento não precise ser bom.Ele é um apoio ao músico, torna excelente o que já era muito bom(isso com um bom músico).E mais uma coisa: não deixe de participar das feiras musicais, ainda quero te ver tocar em muitas.Abraço!

Nélio Rocha disse...

Eu penso que a música fica acima do músico e até de seu instrumento.O instrumento dura mais que o músico, mas nenhum deles dura mais que a obra, a partitura.Nela, ficam o sentimento a criatividade e a arte do autor, a maneira como seu espírito se expressava.Então acho que apesar de os instrumentos estarem ficando mais hi-tech que nunca, falando, compondo, que seja; se seu dono não tiver expressão,sensibilidade jamais fará uma boa obra, não se imortalizará pela música. Sem os músicos, os instrumentos passam a ser objetos de contemplação somente, perdendo a função de tradutor de emoções de enaltecedor de sensações de canal da alma.
Enfim, acho que o cara pode ter os melhores instrumentos do mundo, o reconhecimento será passageiro se ele não compuser bem, não for verdadeiro!

H disse...

Muito bom seu post(como sempre), é isso mesmo que voce disse, só a musica trará reconhecimento, coisa que voce conseguiu muito bem, infelizmente não tanto quanto voce merece, pra mim voce é um dos melhores do mundo se não o melhor, sem dúvida! Eu só consegui te ver um pouquinho na Expo, por mim eu teria ido todos os dias te ver..admiro muito sua atenção com os fãs :) queria dizer que voce é meu maior incentivo musical, voce fez eu gostar de estilos que nunca imaginei que gostaria, me mostrou a beleza deles, voce realmente me conquistou com sua música, foi uma grande influecia na minha escolha em seguir a carreira da musica, por mais dificil que seja, alias, é o que nós amamos ne, e isso ninguem tira da gente ;)
Parabens por todo o seu trabalho e pessoa maravilhosa que voce é!
beijos, e por favor, continue me conquistando a cada dia...

Naty disse...

Muito bem lembrado, deveria ser simples assim, apenas musica. Sem egos e toda essa dispersao que encontramos no dia a dia dos negocios, e que nos fazem pensar que nada esta como deveria ser.
Definitivamente nao damos o valor devido a verdadeira arte, no Brasil uma pessoa pode ter mais credito ao aparecer com seu corpo do que com sua alma.
Mas parabens a quem consegue se desdobrar e viver de musica, se reunir para falar sobre ela ano apos ano e ter o mesmo entusiasmo de um iniciante.

Gabriel Almeida disse...

grandes poderes grandes responsabilidades!!vc tem um grande dom,vc toca pra caralho!!!concordo em colocar a musica acima de tudo

Gail disse...

Acredito que muita coisa se perdeu no meio do caminho por causa do dinheiro e do brilho da fama. O músico é a ponte entre a música e o público. É quem Deus depositou confiança para levar emoção, reflexão e bem-estar às pessoas.

Anônimo disse...

belo texto, crítico e saudosista ao mesmo tempo. parabéns.

Anônimo disse...

belo texto, crítico e saudosista ao mesmo tempo. parabéns.

Jéeèh ♥ Boníiìtinháaà disse...

Own... Te amo, sabiia?
Eu fui no show do Angra no Citibank hall, foi mágico!
Eu estava prestando atençao no Edu até eu ver vc bem ali, na minha frente!
Apaixooneeei!
*---*
Acho vc um ótimo músico! Te amo...
Beijoos!