27 de agosto de 2010

BLOG Guitar Player



DE VOLTA À EUROPA
Terminadas as gravações do sétimo álbum de estúdio do Angra, realizadas em São Paulo, segui direto para a Alemanha. A viagem começou com a apresentação no estande dos amplificadores Laney, na Musikmesse, maior feira de instrumentos musicais do mundo, que acontece em Frankfurt. Tive o privilégio de dividir os horários das apresentações com Mattias IA Eklundh – quem ainda não conhece o sueco está perdendo um dos guitarristas de rock mais inovadores dos últimos tempos – e com o francês Christophe Godin, que possui uma maneira peculiar e divertida de tocar.
No estande da Laney, na Musikmesse, em Frankfurt, com Mattias IA Eklundh e Christophe Godin.
De Frankfurt, fui para Nancy, França, pois haveria uma jam com Reggie Hamilton. Apesar de não muito conhecido, esse grande baixista americano já trabalhou com inúmeros artistas, como Eros Ramazzotti, Boyz II Man, entre outros. É um dos mais requisitados músicos de estúdio do mundo.
Jam com o baixista Reggie Hamilton, na França.
Mais uma vez, coloquei-me na fogueira e sugeri que ele poderia propor o que tocaríamos. Não imaginei que os temas indicados seriam bebops repletos de notas, e faltavam apenas cinco minutos para subirmos ao palco do teatro, onde 200 alunos nos esperavam. Sugeri os famosos temas Oleo (Sonny Rollins) e Billy’s Bounce (Charlie Parker), os quais meu obscuro lado ja- zzista consegue resgatar nessas horas. Além dessas composições, interpretamos o famoso tema de um acorde só Jean Pierre (Miles Davis) e St. Thomas (Sonny Rollins), que foi o mais perto que
chegamos de algo mais ao sul das Américas. No dia seguinte, após horas e horas de táxi-trem-avião-táxi, fui
para a Eslovênia, a uma cidade chamada Ljubljana (não se sinta cons- trangido se não conseguiu ler direito esse nome, tentar ler as placas e avisos por lá é muito pior!). No país balcânico, fui convidado para um evento de competição de guitarristas. Na programação, uma jam ao lado de Guthrie Govan. Caso você nunca tenha ouvido falar de Govan, pare tudo e vá pesquisar. Eu já o conhecia, mas vê-lo tocar de perto foi, no mínimo, motivador, ao lado daquela “depressão” boa que sentimos ao ver um músico fenomenal. No backstage, quando resolvemos conversar musicalmente, mais uma vez recorremos aos standards, que, dessa vez, foram de música brasileira. Mesmo sendo um músico britânico de rock, Govan conhecia de cor algumas com- posições de Tom Jobim.
Com Guthrie Govan e um monge, durante visita a um castelo na Eslovênia.
Assim como o inglês é, atualmente, o idioma utilizado pratica- mente no mundo inteiro para que as pessoas possam conversar e se entender, tocar o que é universal possibilita a comunicação musical com instrumentistas de todas as nacionalidades. Universais são os clássicos do rock, os standards de jazz e os hinos da bossa nova. Portanto, todo músico deve ter um repertório mínimo para que incríveis oportunidades não escorram pelos dedos. Assim, selamos amizades e relações musicais, aproveitando o melhor de nossa pro- fissão. Expressar e interagir, sempre!
128 junho 2010 GUITAR PLAYER.COM.BR
ONliNe
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