21 de dezembro de 2010


Rock House Announces Exciting Event at the

Hal Leonard Booth for NAMM 2011

Biggest Gathering of Talent in One Place at One Time

(West Haven, CT., December 17, 2010)Rock House, the leader in music instruction, announced today that they are planning a very special event at Winter NAMM 2011. On Saturday January 15, 2011 there will be a gathering of Rock House artist at the Hal Leonard booth # 4618 Hall C from 5pm to 6pm.

This will be the biggest gathering of talent in one place at one time at the Winter NAMM show. Committed to appear are Rock House artist Alex Skolnick, Rusty Cooley, Gary Hoey, David Ellefson, Marc Rizzo, Vernon Reid, Rob Balducci, John McCarthy, Dan Jacobs, Kiko Loureiro and Jeff Loomis. As we move closer to NAMM 2011 more Rock House artist will be added.

This is a great opportunity to meet some world’s best musicians and the artist who are teaching a whole new generation of young aspiring musicians to play music. We would like to extend an invitation to all the retailers who are committed to the Rock House Method. For those retailers who are not on board just yet, come by and see what all buzz is about and how Rock House is changing the face of music instruction.

Rock House has developed an accelerated yet easy-to-use system of learning that utilizes the functionality of DVD and Print, integrated with the accessibility of the Internet. Aspiring musicians who have a product produced by Rock House receive free membership to www.rockhousemethod.com for 24-7 lesson support. Students use this fully interactive lesson site along with their product to enhance their learning experience, expand their knowledge, link them with instructors, and connect with a community of people around the world who are learning to play music using The Rock House Method®.

For more information contact:

Joe Palombo, 914-686-1903

jp@rockhousemethod.com

17 de dezembro de 2010


Ásia: Descobertas e Aprendizados

(Parte 1)

A saga pela Ásia começou por uma interminável viagem a Xangai, onde o relógio biológico é trapaceado e o dia vira noite e a noite vira dia. O voo, que de bom só teve o sorriso das aeromoças, contou com a presença de brasileiros animados com a possibilidade de realizar “negócios da China” na Expo Shanghai 2010. E eu com minha guitarra nas costas e o desafio de agradar a iminente potência mundial.

A “Expo dos olhos puxados” é igual a qualquer outra, a não ser pela liberdade de poder tocar no volume que bem entender, sem salas fechadas ou homens de preto com seus decibelímetros. Ensurdeci por três dias, mas competi à altura no estande da Laney, que contava com um line array de dar inveja a muitas casas de show.

Mas, na China, aventura mesmo é a culinária. Todas as noites participei de jantares, que sempre reservavam surpresas nas mesas giratórias dos restaurantes aristocráticos. O auge foi o jantar no qual foi servida uma suculenta cobra regada a “Chinese wine”, que de vinho não tinha nada: pura cachaça de arroz com 52% de álcool, curtida em cobras, gatos, ratos, abelhas e o que mais sua imaginação permitir. O restaurante parecia um laboratório do Butantã e me fez lembrar dos tempos em que estudava biologia na USP.

De Xangai fui para Osaka, Japão, onde o Angra foi convidado a participar de um dos maiores festivais de metal do planeta, o Loud Park Festival. Ozzy, Avenged Sevenfold, Motörhead e Angra como bandas principais de um dos dias do evento. Uma responsabilidade enorme. 10 mil nipônicos em Osaka e 20 mil em Tóquio. O Japão já conheço bem, mas é sempre uma surpresa ver aquela quantidade enorme de pessoas em puro silêncio enquanto esperam a entrada da banda preferida, uma multidão de cabelos lisos e pretos, olhos puxados sempre curiosos e observadores. Cenas impagáveis, como Ozzy pulando corda no backstage, também ficaram na memória. Porém, o mais difícil de tudo é a agenda sufocante dos japoneses. Tudo cirurgicamente cronometrado para que seja possível fazer inúmeras entrevistas, sessões de autógrafos e reuniões até meia hora antes e logo após o show.

Um festival como este é praticamente como uma Copa do Mundo. Você tem 60 minutos para mostrar o porquê de ter sido “convocado” para aquela posição. Não há como evitar a comparação direta com outras bandas de grande porte, além de ser uma performance direcionada a um público notoriamente considerado superexigente.

Nesse ambiente, é fácil alguém do grupo ser tomado por um nervosismo contagioso. Para evitar isso, um bom estado de espírito de toda a banda é fundamental. Nada do que foi ensaiado e treinado valerá se a autoconfiança não estiver lá em cima. Uma arrogância saudável e consciente, imaginar que cada um do grupo está gabaritado para impressionar o mais incrédulo fã e a certeza de que anos de estudo nos colocaram merecidamente naquela posição são peças-chave para um controle emocional que fará com que a banda realize um show impecável.

Por fim, tudo saiu conforme havíamos planejado e, no dia seguinte, com a sensação de alívio, embarcamos para Taiwan. No próximo mês, a continuação dessa turnê inesquecível. Até lá!

10 de dezembro de 2010


MÚSICA, ACIMA DE TUDO

Cinco dias efervescentes, ainda mais este ano, com a economia do “companheiro” Lula a todo vapor. Empresas fazendo de tudo para chamar a atenção com seus letreiros de plasma e pegar carona na alavancada do país do futuro.

Expomusic 2010. Além de todo negócio envolvido, do qual nós, músicos, passamos ao largo e observamos pela tangente, o melhor dessa festa é encontrar os amigos, instrumentistas, lojistas, representantes e todas as pessoas que trabalham de forma direta e indireta com nossos objetos de consumo.

A cada ano que passa, sinto-me um ancião. Sou dos poucos que já frequenta esse evento desde a época da bienal, no Ibirapuera. Lembro-me de, em 1992 (pasme!), Edu Ardanuy e eu no estande da Zoom tocando a partir da abertura das portas até o encerramento. Todos os dias, sem parar! Foi a minha primeira Expomusic, na época da liberação das importações pelo nosso ex-presidente yuppie. Era o embrião do que existe hoje. Quando, em 1994, a feira mudou-se para o Expo Center Norte, mostrou mais pujança e, daquele momento em diante, estamos lá todo ano, como um déjà-vu cíclico em espiral evolutiva.

A memória, que normalmente me engana, decifra ainda várias das maravilhosas jams das quais participei e não me recordo ao certo o ano, mas lembro das músicas, dos instrumentistas e das amizades nascidas ali. Marcantes também os lançamentos dos álbuns Universo Inverso e Neural Code, no Music Hall, os eficazes bombeiros cancelando uma tumultuada tarde de autógrafos do Angra, as bebedeiras dos amigos, os fãs e suas fotos em momentos que deveriam ser solitários nos banheiros públicos, as gafes misturadas com os sonhos, os talentos, os egos, as invejas e tudo mais que os poucos dias recheados de amendoins, pseudofama, vendas e, é claro, música proporcionam a cada um de forma muito diferente.

Mas, se por um lado, a feira parece um déjà-vu anual, percebi que algo mudou desde aquele longínquo 1992 até os dias de hoje. É essencial perceber e reconhecer que a fonte, a matéria-prima, o alimento de todo esse universo está no artista. Músico cria arte com instrumentos e não o inverso. Instrumentos podem ser grandes incentivadores da criação e desenvolvimento musical, mas nunca estão acima da criatividade e do instinto. Temos de ter a consciência de que somos nós que criamos a demanda para todo esse ambiente de Expomusic.

Na era do “preciso ter um endorsement para ser conhecido”, as coisas perderam o equilíbrio. O músico deveria vir antes do instrumento e a música, antes ainda do músico. Ela poderia existir por si só. Por isso, pense bem em como se inserir profissionalmente nessa área. Só a sua música vai lhe trazer reconhecimento, e não o instrumento. Formadores de opinião e criadores de sonhos e desejos, os músicos e artistas são a base de tudo. Sem nós, nada aconteceria.

3 de dezembro de 2010


OBRIGAÇÕES DE MERCADO

Agora é tempo de corresponder às “obrigações de mercado”. Pensativo, tentei absorver essa frase que li em uma dessas revistas de assuntos corporativos e negócios, durante um raro momento de ócio em uma sala de embarque de algum enfadonho aeroporto.

Fiquei assustado com o significado intrínseco que isso deve causar nas pessoas, pois a frase estava dirigida a seres humanos e não a corporações. Bom para psicólogos, psiquiatras e a indústria farmacêutica.

Qual seria essa “obrigação de mercado”?

Imagino que, entre elas, ser emocionalmente inteligente está acima de tudo, em voga. Ser inteligente à moda antiga já não é suficiente. Lembro-me de ouvir de um guru corporativo palestrante que ser “bom ou ótimo em algo não levará a nada”, temos, sim, que ter “excelência” no que fazemos, senão, profetizava o tal, ficarás na “corrida de ratos”. O mercado farmacêutico agradece.

Mas, então, qual é o parâmetro para ser excelente?

O mundo que nos colocam à frente, nas mídias e artes em geral, é polido, perfeito, “photoshopado”, “autotunado”, comprimido, asséptico, maquiado, 3D, HD, nas medidas dos paquímetros digitais, controlado pelos profissionais do marketing, consultores de moda, de mídia, assessores, colegiado de magistrados e por aí vai...

Em nossa profissão de guitarristas, colidimos com o mesmo transtorno de nossos tempos. Temos de ser tudo ao mesmo tempo agora e, por obrigação, eficazes e perfeitos, sem a possibilidade de falhar e ter o direito de ser “somente” bom no que fazemos.

Daí surge mais uma lista de “obrigações de mercado”: solos perfeitos, técnica invejável, bases firmes e potentes, composições emocionantes, tocar diferentes estilos, ser um arranjador criativo, impecável nos trajes, ser garoto propaganda presente em todos os eventos, ser o cara legal e profissional, equipamento completo e versátil, saber falar, escrever, manter o Twitter com milhares de seguidores, e-mails em dia etc.

Com o domínio do cognitivo em nossas vidas, onde fica o contemplativo? Tudo é cerebral e por si só deve ser perfeito e sob controle para estarmos felizes e satisfeitos. Não! No contemplativo atingimos o substrato do criativo, alcançando o contentamento e satisfação própria, egoísta e autocrática. Afinal, somos artistas antes de mais nada. Creio eu que a solução da questão é saber ligar o “f...-se” por muitas vezes e ignorar essas inventadas “obrigações de mercado”.