25 de março de 2012

Revista Guitar Player de dezembro de 2011.

CINGAPURA, HONG KONG, TAIWAN E FILIPINAS (Dezembro 2011)

Pelo jeito, o foco mundial continua voltado para a Ásia. Recebo constantemente convites para viajar para o outro lado do globo, onde o showbiz está sempre aquecido e sedento por atrações. Estive no mês de maio explorando as cidades “menores”, com seus 10 milhões de habitantes, da China. Agora, acabo de voltar de uma pequena turnê organizada pela Laney para o lançamento mundial da nova série Ironheart.

Mesmo distantes e diferentes, esses países possuem uma série de similaridades socioculturais com o nosso. A primeira parada foi Cingapura. Tente achar este país no mapa e você descobrirá apenas um pequeno ponto. Porém, a modernidade, riqueza e desenvolvimento daquele lugar é de impressionar qualquer um. O evento, organizado dentro de um teatro em um belo museu, possibilitou meu contato com pessoas dessa pequena cidade-país, que possui uma miscelânea cultural de malasianos, chineses, indianos e ingleses. Depois, direto para Hong Kong, capital asiática dos negócios, chinesa em relação à cultura, mas de hábitos enormemente internacionalizados. Tudo muito corrido, sempre utilizando-se da técnica do “coma sempre que der e durma quando puder” – com o fuso-horário e as viagens longas e seguidas, o organismo fica perdido e, sendo assim, qualquer hora é boa para dormir ou comer.

No dia seguinte, fui para Taiwan, porém, como tivemos um problema com o visto, perdi o voo e cheguei ao evento na cidade de Tainan, sul de Taiwan, uma hora atrasado, indo direto do aeroporto. Confirmada, portanto, a regra do coma e durma quando puder...

Vale lembrar que fico um dia ou um dia e meio em cada país e, além do workshop e passagem de som, há entrevistas, visitas a lojas e encontros com fãs, eventos que tomam a maior parte do tempo. E haja café na terra do chá! Após Tainan, fui de trem-bala para Taipei, capital de Taiwan, em que fiquei um dia e segui viagem para as Filipinas. Dos quatro países, o único que eu visitaria pela primeira vez era as Filipinas – conhecida na Ásia como o país dos ótimos músicos, exportadora de talentos para hotéis, cruzeiros e qualquer lugar que queira um bom instrumentista asiático. A história do país é similar à nossa. Colonizados por espanhóis e, depois, por americanos, é uma nação cujo desenvolvimento derrapa no lamaçal da corrupção (a nossa história não deixa de ser diferente, até mesmo na parte dos americanos, não é?). O que achei mais interessante foi a língua, que mistura inglês e espanhol com o idioma local. Tive um dia de folga, no qual pude fazer turismo e conhecer um pouco dos considerados “latinos de olhos puxados”. Seus guardas têm um quê de cangaço, a pontualidade é subjetiva como a nossa, há larvas fritas no jantar e o trânsito é mais travado que o de São Paulo, pois o transporte coletivo é feito basicamente em jipes antigos enfeitados ao gosto do motorista. Apesar de estar no hotel mais luxuoso do país, com direito a revista de segurança igual à dos aeroportos, algo típico de países com apartheid social velado, aventurei-me e fui dar uma volta de jipe. Aproveitei para conversar com as pessoas e dividir o sentimento de ser brasileiro, ou seja, um ser “em desenvolvimento” como eles.

Ao final de uma turnê curta e intensa como esta, permanece no melhor cantinho da memória os momentos bons, de descobrir novas culturas, conhecer excelentes instrumentistas de etnias distantes da nossa e poder tocar para pessoas com um histórico de vida tão diferente, mas que compartilham da mesma paixão pela música. Não deixo nunca de agradecer o que os momentos solitários de estudo me proporcionaram e para onde a guitarra me levou e ainda me leva. Agora, escrevo este texto a caminho de Amsterdã, para um tributo a Jason Becker. Semana que vem, tenho mais eventos em cinco dias na Itália.


6 comentários:

Helenita disse...

Kiko, além de adorar ouvir você, agora adoro ler também. Apesar de sentir o quanto essas turnês são corridas e cansativas, dá para perceber nas suas palavras o quanto isso lhe traz prazer e felicidade, e isso reflete no seu imenso talento. Parabéns por sua dedicação e carinho com seus fãs.

Um grande abraço.

Helenita - São Paulo

Priss, the Viking Merak disse...

Nossa, que narrativa bacana. Senti como se estivesse um pouquinho lá. Se um dia se aposentar da guitarra, pode virar escritor! Adorei!

Priss, the Viking Merak disse...

Nossa, que narrativa bacana. Senti como se estivesse um pouquinho lá. Se um dia se aposentar da guitarra, pode virar escritor! Adorei!

Anônimo disse...

Você é feliz cara!!! Aproveite.

Júlio Sampaio Neto disse...

Muito bom, mesmo ja sendo noticia antiga (dezembro de 2011).
O que muito me atrai nos seus textos é tanto a capacidade de adaptação, pois eu não agentaria uma rotina assim, e a (não sei se essa é a palavra certa) humildade em que você se porta em certas situações que muitos musicos de PEQUENO PORTE se achariam a ultima bolacha do pacote.
Não sei se é mesmo o Kiko que posta, lê os comentários e modera o blog, ja que até nos posts vc deixa claro como é corrido, e diferente de muitos, eu sei que além da careira, há a vida particular e que deve-se destinar uma boa parcela do tempo para tais fins. Apenas desejo que saiba que independente de Angra, Tarja e todos os outros projetos paralelos que possa ter ou vir a ter, sempre haverá pelo menos um fã que sempre admirou seu som, sua tecnica e estilo...
espero que vc goste tanto do que faz quanto nós gostamos do que vc faz e que bons dias venham, e venham muito melhores do que os que ja se encontram.

Efrim guimarães disse...

ola kiko.nao ebem um comentario ,mas p/ diser que acho legal o que voce fas atrves da guitarra.e muintas veses.tento entender como se realisa um bom arranjo,um improviso.comprei uma guitarra,a tagima k2 tenho ela a 5anos,gostei do produto,mas me faltão nocões e tecnicas,onde eu moro não tem quem encine. ascoisas por aqui, são difices em relação a musica.toco em uma banda.catolica e levamos amensagem de Deus atraves da musica.gostaria de poder contar com voce.meu nome:e Efrim guimarães, moro em alenquer. no para.sem mas abraços, apesar do que voce sabe faser,continue sendo essa pessoa simples e que Deus te abençoes nos teus caminhos.