11 de agosto de 2012

Blog da Guitar Player de Março 2012



NAMM 2012 ( Guitar Player março 2012)

Tornou-se tradicional em meu blog falar sobre minha visita à
 NAMM, a convenção que rege o mercado de instrumentos musicais do mundo, realizada em Anaheim, na Califórnia, a cada início de ano. O sol, as palmeiras, as limousines, as festas e o glamour continuam os mesmos de sempre, sem perder a pose mesmo após anos consecutivos de crise.

 São quatro dias de exposição, em que não há venda de ingressos – os convites são distribuídos apenas para quem está envolvido no ramo e tem alguma relação com os fabricantes que ali expõem. É divertido conhecer e conversar com pessoas que trazem em seus sobrenomes as marcas que tanto cultuamos e desejamos, apertar a mão de músicos que nos influenciaram no passado e conferir em première os produtos que irão se espalhar pelas lojas do mundo ao longo do ano. Esse contato humaniza a fantasia, mas, ao mesmo tempo, faz com que reverenciemos as conquistas tecnológicas e ideias brilhantes dessas empresas, que criam nossas fantásticas ferramentas de trabalho.

Logo cedo, cursos e palestras iniciam a festa, enquanto empresários das mais diversas etnias e artistas com cara de que acordaram fora de hora enfileiram-se com suas identificações nas portas de entrada. Minha função em 2012 foi apenas estar presente nas mesas de autógrafos das marcas que me patrocinam, como Laney, D’Addario e Zoom. Além disso, houve reuniões e conversas com músicos, engenheiros e gerentes de marketing. 

Tudo muito rápido, pois o lema “tempo é dinheiro” impera por lá.Diferentemente da Expomusic, realizada no Brasil, a NAMM fecha as portas ao cair da tarde e, a partir daí, apresentações para lá de especiais tomam conta dos salões nos hotéis das imediações. Pude presenciar três Steves juntos, no mesmo palco: Vai, Lukather e Morse, ao lado de Paul Gilbert, tocando covers e se divertindo em uma jam incrível. Em outra festa, Steve Wonder e sua banda homenagearam James Jamerson em um show para lá de intimista. São tantas possibilidades de eventos e shows que fica difícil se decidir para onde ir.A profusão de ideias que são apresentadas nesses quatro dias é exuberante. Além das novidades nos produtos, a preocupação da convenção em manter a troca aberta de conhecimento chama a atenção, o que nós, aqui no hemisfério sul das Américas, deveríamos usar como exemplo.Pude participar de palestras revigorantes sobre os mais diversos temas: renomados produtores musicais e suas experiências com grandes artistas, discussões de como utilizar as novas ferramentas de marketing de internet e uma bastante interessante, sobre como um músico deve pensar com cabeça de CEO. São mais de cinco auditórios com palestras ininterruptas ao longo do dia.A importância dada ao conhecimento já é uma aula por si só. Creio que isso é o que forja o alicerce dessa economia, a qual, mesmo ainda febril, é tão poderosa que dita as regras para o mundo.Educação, cultura e sabedoria em um ambiente de puro negócio, competição, segredos industriais, patentes e concorrência árdua. Isso comprova que não existe efeito sem esforço e sem estudo, que não há poesia sem prosa e que, para a formação de uma sólida carreira ou um grande negócio, é necessário observar o mundo ao redor e seus diversos aspectos. Pensar diferente para criar diferente.

 São essas trocas de conhecimentos que fornecerão as ferramentas para um avanço. Explorar, desenvolver e dividir as experiências é o lema ali proposto. Não há melhor forma de entender as rápidas mudanças no mundo do que ouvir quem está no topo dessa cadeia – já dizem os sobrinhos do Tio Sam. Nós chegaremos . Basta derramar suor sobre os livros ou, talvez, sobre as cordasou melhor, sobre os dois...

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