7 de outubro de 2012

Acoustic Guitar Meeting – Sarzana





Acoustic Guitar Meeting – Sarzana
Seguindo a filosofia do “jogue-se na fogueira”, aceitei participar do mais conceituado festival de violão da Itália, no final de maio deste ano, em Sarzana, na província de La Spezia. O Acoustic Guitar Meeting acontece há mais de 15 anos dentro de um castelo incrível, do qual não me arrisco dizer a data de construção. O evento é um mix de show, encontro de luthiers, lançamentos no mercado de acústicos e, inclusive, um pequeno museu que mostra a história do violão.
O palco principal foi posicionado no pátio central do castelo e, ao longo de três dias, inúmeros músicos fantásticos passaram por ali. Toquei no dia da abertura antes da atração principal, o canadense Don Ross, um dos precursores do fingerstyle, estilo que Michael Hedges consagrou e do qual Andy McKee é hoje referência graças ao boom da internet.
Fui convidado graças à música brasileira e ao nosso legado de violão brasileiro, que tem passagem livre em qualquer lugar do mundo, ainda mais quando se trata de um festival exclusivamente acústico. Creio que fui o único com violão de náilon nessa edição do festival. O fingerstyle está em moda e a cultura norte-americana, como sempre, é forte e dominante, mas sempre há o interesse na música do nosso País.
Tive de me preparar para esse show em meio à finalização do meu novo álbum solo, que será lançado em breve no Brasil. Concluir um álbum – acompanhar parte gráfica, fotos, arte, textos, contratos de licenciamento e editoração, registro das músicas, planejamento de datas, entre muitas outras coisas – toma mais tempo até mesmo que a gravação das guitarras.
Sendo assim, tive de ser bem eficiente no estudo do violão, que é um outro mundo em comparação à guitarra elétrica. Defini um repertório que incluiu músicas minhas compostas para violão, canções especialmente arranjadas por mim e, claro, standards brasileiros que os europeus tanto gostam de ouvir.
Ao longo dos 15 dias que antecederam o festival, toquei pelo menos duas vezes o show completo, fora os exercícios básicos de aquecimento. O fator “jogue-se na fogueira”, em que primeiro se arruma um “problema” e depois se procura a solução é, ao menos para mim, uma ótima forma de motivação, concentração e planejamento, afinal, não há como postergar a data e não existe a opção de desistir ou fugir. Dessa forma, no meio da caótica vida moderna, na qual a cada segundo aparece algo para nos distrair, encontramos o tempo obrigatório para abstração e estudo, foco e determinação para extrair o melhor de nós mesmos em um curto espaço de tempo.

foto por :  Valeria Gnarini

2 comentários:

Caio Tavares disse...

Parabéns Kiko, você é meu grande ídolo, e eu fico muito feliz de ver você sendo convidado para esses eventos no exterior. Isso mostra a força da música Brasileira, e seu grande nome como músico! Meus parabéns, do seu Fã Nº1 Caio Tavares.

Gabriel disse...

Que ducaralho Kiko.. deve ter sido muito foda esse festival, vou até procurar no youtube se tem algum vídeo, principalmente seu. Não sei se foi a sua intenção, mas ao ler este pequeno texto e ao ver o seu exemplo, um cara q sou fã incondicional, me senti de certa forma renovado, algo que para mim que estava um pouco confuso e incerto, já me pareceu tão mais simples justamente por causa dessa ideia de "se jogar na fogueira" ou o bom e velho taca o foda-se e vamo ve o que que dá hahaha... Valeu pelo texto!