2 de novembro de 2012

SONS DA INOCÊNCIA




Blog da Guitar Player de quando saiu o álbum Sounds of Innocence

SONS DA INOCÊNCIA
Inocência e experiência podem andar juntas. À primeira vista, soam como antônimos, mas podem co-habitar o mesmo momento, o mesmo estado, estar presentes em nossa forma de criar, compor e fazer música. A experiência de tudo que acumulamos ao longo da vida, dos estudos e vivências. A inocência que traduz a beleza, simplicidade e ingenuidade, que nos remete ao infantil e singelo. Leonardo da Vinci já disse que simplicidade é a sofisticação máxima e William Blake também já discursou sobre experiência e inocência. Não deixar que a inocência seja perdida é a chave para o equilíbrio na arte e para o encontro da plena satisfação pessoal no trabalho. Nunca devemos nos sentir limitados, mas, sim, sempre imaginar um horizonte aberto a explorações e descobertas nas quais a condição de estar ingênuo e inocente torna tudo possível e palpável.
Sounds of Innocence (sons da inocência) é meu novo trabalho solo, meu novo álbum de guitarra instrumental. Carrega a experiência profissional de tantos anos de estrada e a eterna busca pela liberdade, ingenuidade e inocência nas composições e performances. Um álbum de produção complexa. A começar pela bateria com Virgil Donati, na Califórnia (EUA), guitarras e percussão de Ricardo Padilla, em Helsinque (Finlândia), berimbau de DaLua, em São Paulo, baixo de Felipe Andreoli, em Jundiaí (SP), e uma música com o baixista Doug Wimbish, em Nova York (EUA), além de guitarras extras, mixagem e masterização na Alemanha. Foram oito estúdios em quatro países diferentes.
Escrevi ultimamente nesta coluna sobre composição, gravação e liberdade criativa, refletindo exatamente o que vivi nos últimos 12 meses. Desde a decisão de começar a trabalhar com foco em novas músicas até o momento de ter o álbum nas mãos, foram 12 meses entrecortados por turnês, shows e inúmeras viagens. Agora é o momento de compartilhar o que criei e observar os mais diferentes comentários sobre as músicas. Acho fascinante saber se estas canções farão parte da vida das pessoas, se poderão acrescentar algo de bom em cada um. Para mim, é claro, cada composição é um aprendizado, uma terapia, uma análise profunda dos meus gostos musicais e dos sons que existem dentro da minha cabeça e me impulsionam a fazer um trabalho com eles. Porém, para quem ouve o disco finalizado, sem saber todo o caminho anterior percorrido, em meio a tanta informação do nosso cotidiano, o impacto certamente é diferente. O bom é que esse impacto vem puro, sem as dúvidas e receios do autor. Espero que seja uma obra da qual as pessoas se sintam donas, apreciem, emocionem-se, dividam e que faça parte de bons momentos na vida – aquela em que a gente deve adquirir experiências sem esquecer da íntima inocência. 

2 comentários:

deleon disse...

Como sempre você nos ensina, com muita sabedoria,sua lições de vida,demonstrando além de um ótimo musico um grande ser humano,parabéns ,isto explica o fato de você simplesmente ser o Kiko Loureiro .

Su eila disse...

nossa,é muito gratificante pra mim saber do processo e que tipo de emoção o levou a criar "SONS DA INOCÊNCIA"