3 de dezembro de 2012

Na Terra Do Sol Nascente


NA TERRA DO SOL NASCENTE
No outro lado do mundo, tão distante e diverso, está um lugar onde é possível sentir-se em casa, à vontade e querido. O Japão nos dá essa sensação de familiaridade e identificação, pelo menos para quem cresceu em São Paulo, em meio a viadutos, túneis, grandes avenidas e ao lado de tantos nisseis e sanseis. Em julho deste ano, tive o privilégio de realizar dois shows no Japão, em Tóquio e Osaka, além de entrevistas e promoções para o meu novo álbum, Sounds of Innocence.
Desta vez foi um pouco diferente das inúmeras outras ocasiões em que estive lá com o Angra ou para workshops. Foi minha primeira experiência como artista solo e isso deu um caráter para lá de especial e desafiador. O público japonês tem uma dedicação sem igual para com os artistas que amam, porém, para consegui-la, é necessário mostrar um trabalho que se alinhe à qualidade e perfeccionismo que imperam no dia a dia desse país. Tarefa nada fácil.
Com Felipe Andreoli no baixo e Marcelo Moreira na bateria, passamos por uma semana intensa de atividades, ótimos momentos musicais e inusitados choques culturais. A ansiedade de mostrar um trabalho inédito no Japão e a expectativa do público, que esgotou os ingressos meses antes da apresentação, serviram como impulso incrível para os ensaios e shows preparatórios que realizamos antes no Brasil.
Após a viagem interminável de meia volta no planeta, o primeiro dia em Osaka, ainda em adaptação ao fuso, serviu apenas para lutar até o limite contra a força natural do sono. Perambulei pela cidade de um calor e umidade amazônicos em um estado de zumbi sonâmbulo. No segundo dia, realizamos um ensaio e reunião com o diretor de palco para afinar os detalhes de equipamento, som e luz. Cada ponto foi passado antecipadamente para não haver surpresas desagradáveis no dia do show. No terceiro dia, data da primeira apresentação, com a energia reposta pelo tradicional Okonomiyaki, que nada mais é que um omelete com tempero japonês, fomos para a casa de show ajeitar o terreno para a estreia.
Cronograma seguido religiosamente, no qual tudo funciona de tal forma que dá vontade de querer tocar para sempre no mesmo lugar, como num sonho em eco. O que mais diferencia o Japão de outros países, além da qualidade técnica e precisão da produção, é a reação do público. Com um respeito sem igual com a música, a plateia vibra conforme a dinâmica mostrada no palco. Entregam-se e interagem com as músicas mais agitadas ou pesadas, mas, quando levei um violão de cordas de náilon ao palco para apresentar músicas do álbum Universo Inverso, o silêncio foi de sala de concerto – eu ouvia somente meu violão e minha respiração. O mesmo acontece antes do show: um silêncio profundo, como se a casa estivesse abandonada, mesmo repleta de japoneses à espera do espetáculo. Sem câmeras ou celulares durante a apresentação, todos respeitam o sinal de proibido filmar ou tirar fotos – nada é preciso pedir duas vezes. Algo surreal para nós, brasileiros.
No quarto dia, pegamos um trem bala e fomos direto a Tóquio, para um longo do dia de entrevistas que terminou em um nada convencional restaurante de sashimi de frango. No dia seguinte, data do show de Tóquio, de manhã cedo fui gravar vídeos para o DVD da revista Young Guitar. Eles levam a sério o termo “guitar hero” e imaginam que é possível tocar as partes mais difíceis do álbum em um primeiro take sem aquecer. Tudo é muito rápido e sem tempo para tentar mais uma – é o famoso “Deus nos acuda”.
O show de Tóquio, com ingressos esgotados, foi uma experiência fantástica e, logo depois, fizemos ainda uma sessão de autógrafos para mais de 200 pessoas. Dia de trabalho árduo e sem descanso, bem no estilo japonês do “carpe diem”.
Acordar cedo no domingo, dia após o show, para mais atividades intensas é algo normal na Terra do Sol Nascente. Mais entrevistas para a Young Guitar, pois sempre querem saber de tudo nos mínimos detalhes, sessões de foto e um workshop para uma seleta plateia.
O feriado nacional no dia seguinte não impediu mais uma enxurrada de atividades promocionais do meu novo disco. O descanso só viria mesmo dentro do avião, já com saudades e distante desse povo de coração limpo. Japão é um lugar sempre desafiador e estimulante. Saí de lá tendo a certeza de que fazer música é a melhor profissão que existe.

Um comentário:

kiko lou disse...

日本に来た時の事がブログに書いてあって、日本の皆はとても嬉しいと思います。ライブもkikoさんを間近に見れて、尚且つkikoさんに触れ合えて握手もしてもらえてとても楽しいひと時だったに違いありません。私は行けませんでしたが、YOUNG GUITAR ・ Kiko Loureiro DVDが8月頃twitterで出ますよと言っていたのですが3ヵ月も待ってしまいました。DVDを見ながらkikoさんのライブ感に浸りたいと思います。でもkikoさんが好み焼き気に入っくれて嬉しいです。