12 de novembro de 2012

Sounds Of Innocence - Release


"Sounds Of Innocence", quarto álbum solo de Kiko Loureiro, foi gravado no Brasil, Estados Unidos, Alemanha e Finlândia em fevereiro e março de 2012, tendo Felipe Andreoli no baixo e Virgil Donati na bateria. Produzido pelo próprio músico, mixado por Dennis Ward e masterizado por Jürgen Lusky, o disco lançado em todo o mundo contém dez faixas com a participação do baixista Doug Wimbish e do percussionista DaLua (berimbau) em "Mãe D'Água"; da tecladista Maria Ilmoniemi em "Ray Of Life", "The Hymn", "Twisted Horizon" e "A Perfect Rhyme"; e do percussionista Ricardo Padilla em "El Guajiro", "Ray Of Life" e "Mãe D'Água".  

Track List:
1   Awakening Prelude
2   Gray Stone Gateway
3   Conflicted
4   Reflective
5   El Guajiro
6   Ray of Life
7   The Hymn
8   Mãe D'Água  
9   Twisted Horizon
10 A Perfect Rhyme   

"Sounds Of Innocence" nas palavras de Kiko Loureiro:

"Sounds Of Innocence, meu quarto álbum solo, é a minha voz interior, que constantemente me mostra sons, melodias, texturas e harmonias. A vida não deveria ser vista como uma existência limitada, mas sim como um horizonte aberto a ser explorado e experimentado. A inocência seria o lugar onde permanecemos em tranquilidade, onde tudo é possível e ninguém é superior ao outro. Para mim, compor é esse estado natural em que libero minhas emoções, forças e fraquezas. Aprendo que, quanto mais aprimoramos nossas habilidades, mais longe poderemos ir. Uma intermitência constante entre a inocência e a experiência nos traz essa consciência. A inocência é uma das características mais importantes para acalmar nossos corações e nossas vidas. Ser inocente significa esperar que coisas boas aconteçam e esperar o melhor das pessoas. A inocência nos mantém abertos para o mundo sem a necessidade de nos protegermos ou nos escondermos. Fatos negativos podem ocorrer a qualquer hora e lugar, mas a inocência é uma escolha a ser feita diariamente. Perdê-la resulta em cinismo, em não confiar nas pessoas, não crer na vida, e consequentemente, não ter confiança em si mesmo. Preservar a inocência alimenta o sentido de estar vivo e nos possibilita evoluir como ser humano. A inocência é a essência e fonte de criatividade e liberdade. Permite estar aberto à simplicidade de ideias e aos mais profundos sentimentos e imagens musicais, o que deriva a habilidade de tocar, compor e improvisar, descobrindo constantemente a música em mim. Todos os momentos de reflexão vividos durante o último ano são representados, de alguma forma, nas dez músicas de Sounds Of Innocence. As composições descrevem minhas experiências de maneira perfeita. Combinam meu passado com o que sou agora - lembrando os momentos inocentes que passaram e simultaneamente sendo humilde o suficiente para manter a inocência como um importante valor no presente, me permitindo aprender, explorar, desenvolver e compartilhar. Amo o que faço e isso causa a sensação única de que a música é algo que nos une universalmente. A música não pertence a mim e nem a ninguém. Quanto mais eu crio, mais puro e livre me sinto para apresentar e compartilhar minha música.  

1 Awakening Prelude
O violão é meu principal instrumento quando componho e portanto é natural que Awakening Prelude seja a faixa de abertura do disco. Representa o meu dia a dia. Uma introdução calma com o violão para começar o dia. A melodia deste prelúdio antecipa o que irá acontecer na próxima música.

2 Gray Stone Gateway
Durante o processo de composição de Sounds of Innocence eu estava na Finlândia. A paisagem, a natureza e o cenário da cidade têm sido uma experiência totalmente nova para mim. Uma característica que realmente me impressiona em Helsinque são os prédios de pedra sabão, muros e igrejas. Busco a perfeita combinação de guitarras pesadas com a melodia sincopada que expressa a minha identidade como artista brasileiro. Isso está presente em todas as minhas composições e não seria diferente com essa. Minha paixão pela harmonia, acordes e progressões complexas vem da música brasileira e me leva ao jazz e fusion que também estão presentes aqui. The Gray Stone Gateway prende o ouvinte com uma complexa frase inicial. Essa música é muito direta, pesada, onde a melodia principal é totalmente baseada no ritmo latino. Os contrapontos com o riff pesado, a guitarra rápida com o fusion no interlúdio são o contraste do simples e o complexo; da experiência e inocência.

3 Conflicted
Com a guitarra em mãos tudo que toco tem um pouco das bandas dos anos 80 e dos grandes guitarristas. Eles foram muito significativos na formação da minha identidade como guitarrista. E evidentemente me orgulho em deixar isso fluir de forma natural. A introdução cria uma expectativa sobre o que está por vir. A atitude e a energia são extremamente intensas nessa música, contendo riffs rápidos assim como a bateria, os compassos e grooves. O conflito e o contraditório são musicalmente representados com a calma do interlúdio e a guitarra limpa que antecipa o som pesado que vem em seguida.

4 Reflective
Uma música calma, contemplativa e reflexiva para tocar. Harmonias simples, melodias inocentes e intervalos. Enquanto estava compondo e tocando essa música, me senti em outra dimensão, experimentando uma queda livre, como se não tivesse gravidade. Quase uma perda de consciência de espaço e tempo, e simultaneamente tendo o senso de fazer parte de algo imenso e universal. 

5 El Guajiro
El Guajiro representa o camponês, homem do interior, uma expressão cubana para descrever as pessoas nativas do Caribe. Desde o álbum "Universo Inverso", meu interesse pela música cubana vem crescendo muito. Eles têm um histórico musical muito parecido com o do Brasil, mas o resultado é surpreendentemente diferente. Em El Guajiro me deixo envolver totalmente pelo ritmo latino sem que o heavy metal me oprima. A percussão, claves e congas são fundamentais no arranjo, o que não é comum na música pesada. Normalmente, a música representa a tensão e liberação pela harmonia e melodia. Os padrões rítmicos também. As melodias sincopadas criam o momento de antecipação e tensão assim como a liberação. No decorrer da música inteira, o foco principal é o groove e os padrões rítmicos.

6 Ray of Life
Ray of Life é uma música muito introspectiva onde a melodia em escala maior e o ritmo constante me estimulam de forma indescritível. Com um toque melancólico e melodias ingênuas, ela me faz olhar para o lado iluminado da vida. Ao compor essa música, eu me vi seguindo três regras para uma boa escrita. Espontaneidade, a rápida colocação de uma ideia em forma escrita; fluidez, escrever ininterruptamente; e ser aberto, sem preconceitos, mantendo a qualidade sem saber o final. Passo para a escala menor no intervalo e junto com o ritmo brasileiro "samba de partido alto", a música entra em um momento melancólico. Na parte final, o término do solo representa a volta da sensação de felicidade e esclarecimento.

7 The Hymn
Essa música é muito diferente de todas as outras que compus. Nunca fui um grande fã de grunge, mas sempre me interessei pelas harmonias despretensiosas. A introdução e o refrão seguem a concepção de estar solto, melancólico, orgânico e rude. Para equilibrar, o restante da música é muito agitado e preciso. Seria como o digital contra o analógico ou a música eletrônica contrabalançando com o rock. 

8 Mãe D'Água
Mãe D'Água simboliza a sereia do rio Amazonas. Os nativos a chamam de Iara e de acordo com a lenda, ela canta uma música irresistível que atrai os homens para o rio e os cegam caso eles olham diretamente para ela. A melodia dessa música ficou na minha cabeça por dias e explica a minha escolha pelo título. Apesar do fato da lenda de Iara vir da Amazônia, os elementos da música são variados. O início é com o berimbau, um instrumento característico do Brasil. A guitarra repete as notas e o mesmo toque, como o ritmo original africano "Ijexá". Toda a percussão, inclusive o berimbau do início, criam a atmosfera da música até que ela alcance a melodia principal. Mantive minha parte mínima, sem exceder muitas notas - mesmo nas partes onde têm muitas, não fiz solos. Esses intervalos criam a imagem do rio Amazonas com a sereia Iara e no outro lado o berimbau brasileiro e as raízes africanas. 

9 Twisted Horizon
Essa foi a primeira música que fiz para esse álbum. Compus durante o período inicial da minha vida na Finlândia, quando me dei conta de que estava do outro lado do mundo. Não só o horizonte estava invertido, mas tudo à minha volta era muito novo. A melodia dessa música é muito positiva e forte, vislumbrando um bonito futuro. Ao mesmo tempo, sob a melodia principal, o baixo e a bateria criam um ritmo complexo representando uma certa instabilidade interior. Quando entra o refrão, tudo volta à estabilidade e positividade completa. Melodicamente essa é a faixa mais positiva do disco. A parte melancólica, à la Piazolla, reflete este lado emotivo das pessoas latinas e finlandesas.

10 A Perfect Rhyme
O disco estava pronto, todas as demos finalizadas, mas eu sabia que seria muito importante compor uma música que representasse o nascimento da minha filha e a realização de ter uma família. Sentei no piano com essa ideia em mente e a música me veio por completo. Eu a mantive exatamente como foi criada mesmo podendo usá-la como uma introdução para uma música mais pesada ou então para uma linda balada. Mas se eu fizesse isso, mudaria a proposta inicial da música. Em A Perfect Rhyme a guitarra e o piano são acompanhados por um bonito arranjo orquestral para fechar o álbum. Está finalizado.


Todo álbum é resultado de muito trabalho, comprometimento, e consequentemente uma enorme realização. Entretanto, esse disco foi um dos mais significativos e importantes para mim. Sounds Of Innocence representa o que sou hoje, toda minha musicalidade, aspirações e desejos.
Muito obrigado!"

2 de novembro de 2012

SONS DA INOCÊNCIA




Blog da Guitar Player de quando saiu o álbum Sounds of Innocence

SONS DA INOCÊNCIA
Inocência e experiência podem andar juntas. À primeira vista, soam como antônimos, mas podem co-habitar o mesmo momento, o mesmo estado, estar presentes em nossa forma de criar, compor e fazer música. A experiência de tudo que acumulamos ao longo da vida, dos estudos e vivências. A inocência que traduz a beleza, simplicidade e ingenuidade, que nos remete ao infantil e singelo. Leonardo da Vinci já disse que simplicidade é a sofisticação máxima e William Blake também já discursou sobre experiência e inocência. Não deixar que a inocência seja perdida é a chave para o equilíbrio na arte e para o encontro da plena satisfação pessoal no trabalho. Nunca devemos nos sentir limitados, mas, sim, sempre imaginar um horizonte aberto a explorações e descobertas nas quais a condição de estar ingênuo e inocente torna tudo possível e palpável.
Sounds of Innocence (sons da inocência) é meu novo trabalho solo, meu novo álbum de guitarra instrumental. Carrega a experiência profissional de tantos anos de estrada e a eterna busca pela liberdade, ingenuidade e inocência nas composições e performances. Um álbum de produção complexa. A começar pela bateria com Virgil Donati, na Califórnia (EUA), guitarras e percussão de Ricardo Padilla, em Helsinque (Finlândia), berimbau de DaLua, em São Paulo, baixo de Felipe Andreoli, em Jundiaí (SP), e uma música com o baixista Doug Wimbish, em Nova York (EUA), além de guitarras extras, mixagem e masterização na Alemanha. Foram oito estúdios em quatro países diferentes.
Escrevi ultimamente nesta coluna sobre composição, gravação e liberdade criativa, refletindo exatamente o que vivi nos últimos 12 meses. Desde a decisão de começar a trabalhar com foco em novas músicas até o momento de ter o álbum nas mãos, foram 12 meses entrecortados por turnês, shows e inúmeras viagens. Agora é o momento de compartilhar o que criei e observar os mais diferentes comentários sobre as músicas. Acho fascinante saber se estas canções farão parte da vida das pessoas, se poderão acrescentar algo de bom em cada um. Para mim, é claro, cada composição é um aprendizado, uma terapia, uma análise profunda dos meus gostos musicais e dos sons que existem dentro da minha cabeça e me impulsionam a fazer um trabalho com eles. Porém, para quem ouve o disco finalizado, sem saber todo o caminho anterior percorrido, em meio a tanta informação do nosso cotidiano, o impacto certamente é diferente. O bom é que esse impacto vem puro, sem as dúvidas e receios do autor. Espero que seja uma obra da qual as pessoas se sintam donas, apreciem, emocionem-se, dividam e que faça parte de bons momentos na vida – aquela em que a gente deve adquirir experiências sem esquecer da íntima inocência.