27 de abril de 2013

A TERRA DA GUITARRA



Califórnia, sinônimo de sol e mar, glamour e riqueza, das dondocas de Bervely Hills aos latinos de Co
sta Mesa, lar do cinema, artes e música. Não há como duvidar que aqui é a terra da guitarra.
Eu me estabeleci por estas bandas do Pacífico por alguns meses, seguindo pequenas propostas de trabalho, mas também de coração aberto para o que der e vier. Já no meu voo de vinda, como não se pode duvidar que aqui é a meca da guitarra, encontrei na sala de embarque o mestre dos mestres da guitarra country: Albert Lee. O pouco que estudei de country em minha vida foi com suas videoaulas e métodos. Fãs do estilo sabem de quem estou falando. Só reparei em sua presença quando ouvi o chamado ao balcão da companhia aérea: “Mister Lee!”. Então, vi aquele senhor de cabelos de algodão, com dois (!?) celulares Nokia na mão (aqueles da época que celular não quebrava e a bateria durava mais de um dia), dirigir-se para resolver suas pendengas burocráticas de check-in. Sensacional! Percebi que estava indo para o lugar certo...
Apesar de ter caído muito na estrada nessa vida quarentenária, viajar para ficar por algum tempo em outro lugar sempre tem uma conotação diferente. Minha identidade como músico e artista e minha relação com a música é colocada em movimento. Um novo ambiente sempre traz alternativas, expectativas, sonhos e, claro, dúvidas e intimidações. Reavalia sua relação com a música e tudo o que foi feito anteriormente. Testa ao limite o que é possível mudar ou não. Não existe o preestabelecido ou a imagem e expectativas que outros têm. É o talento e posicionamento como profissional, e nada mais, que será a base êxito, esquecendo minha próprias limitações e expandindo a imagem que tenho de mim mesmo. É a energia livre do recomeço e quase como uma liberdade do pseudônimo, que tanto já foi usado por pintores japoneses de séculos passados, Fernando Pessoa ou jornalistas na época ditadura.
Seja qual for o novo ambiente – um país, um colégio, uma cidade –, ele o colocará à prova, reavaliará sua relação com a arte, seus pontos fortes e fracos. Afinal, não podemos seguir a vida jogando o mesmo jogo, caso contrário, ela se torna amorfa e insossa. É engraçado e ao mesmo tempo empolgante ter como vizinhos alguns dos meus heróis de adolescência e descobrir que estamos todos no mesmo barco – sair para uma conversa ou encontrar alguém no posto da gasolina.
Amanhã sigo para uma gravação na terra dos estúdios Burbank, ao lado de Hollywood, para uma faixa em um projeto junto com Billy Sheehan e Derek Sherinian (ex- Dream Theater), gravado pela lenda da produção Tom Fletcher (Bon Jovi, Toto, entre outros).


Temos sempre de acreditar na essência de nós mesmos, no que temos de melhor como sustento da nossa personalidade, e saber o que é flexível em nós mesmos para nos adequarmos às diferentes realidades que nos propusermos ao longo da vida. Qual será o seu próximo passo?